Sudão: Mais de 80 detidos em greve de fome contra atrasos na justiça
"O itenta e três detidos na prisão central de Porto Sudão, no estado do Mar Vermelho, iniciaram hoje, às seis da manhã, uma greve de fome por tempo indeterminado em protesto contra a violação do seu direito constitucional e legal a um julgamento justo e célere", afirmou o Observatório Al-Jazira para os Direitos Humanos em comunicado.
A Organização Não-Governamental (ONG) denunciou que a situação se deve à "obstrução" dos seus processos judiciais e ao facto de haver apenas um único juiz encarregue de julgar todos os casos, o que levou a que grande parte dos detidos tenha passado quase dois anos atrás das grades sem qualquer condenação.
Mais de 250 pessoas, entre as quais acusados de colaborar com o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), encontram-se a aguardar julgamento desde o início da guerra, em 15 de abril de 2023, segundo o observatório.
Além disso, a organização indicou que os réus de Porto Sudão - região controlada pelo exército sudanês - entregaram um memorando às autoridades prisionais a expor as suas reivindicações, sublinhando que todos enfrentam acusações que podem ter como pena a condenação à morte, e denunciando que continuam detidos por tempo indeterminado sem qualquer julgamento à vista.
Os réus já tinham feito chegar anteriormente uma queixa ao presidente do Conselho Soberano e líder do exército sudanês, Abdel Fattah al-Burhan, na qual detalhavam as suas condições na prisão e os maus-tratos sofridos após serem acusados de colaborar com as RSF.
A guerra no Sudão, entre o exército e as RSF, que dura há quase três anos e meio e está a ser marcada por ataques de 'drones' (aeronaves não-tripuladas), já causou dezenas de milhares de mortos desde o seu início, em 15 de abril de 2023, e forçou o êxodo de milhões de pessoas na pior crise de deslocados e de fome do mundo, segundo a ONU.
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