Ministro israelita ameaça retirar nacionalidade a realizadores do documentário "Naza", premiado no Festival de Veneza
O ministro israelita da Cultura, Miki Zohar, disse no domingo que vai trabalhar para tentar revogar a nacionalidade aos realizadores do documentário ‘Naza’, que recebeu no sábado o Prémio Especial do Júri do Festival de Veneza por mostrar a alegada estratégia de Israel para destruir a Faixa de Gaza.
“Como ministro da Cultura, vou agir de imediato para revogar a cidadania israelita destes criadores vis por traição ao país”, disse Zohar numa mensagem publicada na rede social X sobre os realizadores do filme, Yuval Abraham e Rachel Szor.
הזכייה של הסרט הנבזי נז״א בפסטיבל ונציה מזעזעת. השנאה העצמית היוקדת של היוצרים שמוכנים לפגוע במולדתם כדי לקבל מחיאות כפיים מהאנטישמים בעולם בלתי נתפסת ומהווה בגידה במדינה. זו בדיוק הסיבה שהובלתי את הרפורמה החשובה בקולנוע כדי שאזרחי ישראל לא ישלמו יותר מכיסם על הפגיעה בחיילי צה״ל…
Zohar acusou os cineastas de terem um “ódio autodestrutivo ardente” e de estarem “dispostos a prejudicar a sua pátria para receber aplausos dos antissemitas do mundo”, o que, segundo o ministro, “constitui uma traição ao país”.
Por sua vez, o ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, escreveu também na rede social X que Abraham e Szor “são uma vergonha e uma desonra para todo o povo de Israel”.
“Desapareçam. Tenho a certeza de que os vossos amigos, os nossos inimigos do Hamas em Gaza, vos receberão de braços abertos”, disse Ben Gvir aos cineastas.
O filme, com 80 minutos de duração, aborda a alegada estratégia por detrás da matança em massa e calculada de civis palestinianos em Gaza por parte de Israel.
A estreia em Veneza, na quinta-feira, foi recebida com uma forte ovação por parte do público.
Abraham e Szor fizeram parte da equipa do filme vencedor do Óscar ‘ No Other Land’ (2024). O novo projeto entrou na corrida pelo Leão de Ouro sob aplausos, depois de o festival o ter aceite ‘in extremis’, uma semana antes do início do certame.
O ‘Naza’ do título é o termo utilizado pelos comandos e pelos serviços de informações israelitas para designar as “vítimas colaterais” dos bombardeamentos que devastaram Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, perpetrados pelo Hamas e outros grupos islamistas palestinianos, nos quais morreram 1.200 pessoas e outras 250 foram sequestradas e levadas para a Faixa.
O número de vítimas no enclave palestiniano ascende, por sua vez, a mais de 73.000, segundo as autoridades locais, controladas pelo Hamas.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) contrariaram o documentário na sexta-feira, ao afirmar num comunicado que as decisões relativas aos bombardeamentos de Gaza são sempre tomadas por pessoas e não por inteligência artificial (IA), como é apresentado no filme com base em testemunhos de oficiais dos serviços de informações e soldados israelitas.
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