Líderes da Banca relativizam níveis da taxa de juro e apelam à “construção” de habitação
Para alguns dos principais líderes dos bancos a operar em Portugal, a subida de taxas de juro tem de ser vista por uma lente relativa face ao que se verificou no passado.
Numa sessão da Money Conference , uma iniciativa do Diário de Notícias e do Dinheiro Vivo, a situação da habitação foi também abordada, havendo um apelo geral ao regresso da construção.
Falando no debate, a CEO do Santander, Isabel Guerreiro, disse acreditar que “temos todos de aprender a viver com as oscilações” e a volatilidade das taxas de juro, especialmente quando são provocadas por “fatores externos sobre o qual temos pouco ou nenhum controlo”.
Porém, a executiva pede para que se relativize pois, há três anos, o crescimento de taxas de juro foram mais repentinas que agora, tendo subido de 0% para 4% em poucos meses.
“Acredito que as condições hoje são melhores que as que em que estávamos há três anos”, especialmente no que toca ao crédito à habitação.
E a executiva desmente ainda que o aumento da taxa de juro não significa um aumento dos lucros dos bancos, “em detrimento das famílias e das empresas”.
“O que é importante é o equilíbrio”, sublinhou, apontando que nem taxas a 0%, nem taxas altas são mesmo boas.
“De facto, há um impacto positivo na margem financeira mas há impactos negativos”, como o facto da capacidade das famílias diminuir e de retraírem os seus investimentos.
Já João Pedro Oliveira e Costa, presidente do BPI, atacou os “treinadores de bancada” que pedem uma regulação de um mercado “altamente competitivo” e diz que se tem “taxas perfeitamente normais”.
“Temos de dizer a verdade às pessoas e não as empurrar sistematicamente para soluções que impõem regras sobre regras, sobre regras”, acrescentou, defendendo os bancos e a sua força para enfrentar os desafios que se podem impor no futuro, lembrando o exemplo da Covid-19.
“O pensamento global é de que a pandemia foi um apontamento.
Não foi; os bancos estiveram cá nesse momento para enfrentar os problemas sozinhos”, acrescentou.
Questão da habitação? Banqueiros apelam à construção Sobre a situação do mercado da habitação e numa altura em que o tema é muito contestado em Espanha, a maioria dos executivos da banca sublinhou a necessidade de se construir mais para resolver o problema da falta de oferta no imobiliário.
Oliveira e Costa é mesmo perentório ao apontar que esse é o principal problema, criticando o “aproveitamento político” e a “demagogia” sobre este assunto, para além das dificuldades no licenciamento.
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