Comunidade imigrante em Tulare mantém "um grande sentido de pertença" aos Açores
A comunidade portuguesa e lusodescendente de Tulare, na Califórnia, mantém "um grande sentido de pertença" aos Açores e contribui para a preservação das tradições, disse à Lusa a presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Fátima Martins.
A responsável está na Califórnia para participar nas celebrações dos 60 anos desde que Tulare e Angra do Heroísmo se tornaram cidades geminadas. "Tenho que agradecer muito aos nossos imigrantes por terem trazido as nossas tradições para as cidades onde estão a viver, porque foi a maneira de as manter e de as passar às novas gerações", afirmou Fátima Martins.
Tulare tem mais de 4.500 residentes de origem portuguesa, a grande maioria proveniente da ilha Terceira, e celebra até 22 de setembro a ligação de seis décadas a Angra do Heroísmo -- a mais antiga entre um município açoriano e uma cidade americana.
Segundo Diniz Borges, professor luso-americano e presidente do Instituto Português Além-Fronteiras da Universidade Estadual da Califórnia em Fresno, os eventos vão comemorar a história ao mesmo tempo que olham para o futuro. A ideia é que "um oceano não tem de separar comunidades" e pode tornar-se "o espaço através do qual elas se encontram".
A Tulare-Angra do Heroísmo Sister City Foundation, cujo conselho de administração é presidido por Carmen Pinheiro, está a encorajar a comunidade no vale central da Califórnia a participar nas celebrações públicas e gratuitas, que incluem concertos do quinteto açoriano Wave Jazz Ensemble.
"São 60 anos de história, 60 anos de cooperação, de laços de amizade muito grandes", disse Fátima Martins, salientando que a comunidade luso-americana demonstra uma grande ligação e saudade das suas origens.
"Não podemos esquecer que muitos dos nossos imigrantes que estão na diáspora ajudaram a Angra do Heroísmo quando foi do terremoto de 1980", lembrou. "A cidade recuperou daquele grande terremoto porque também teve a participação de muitos dos nossos imigrantes", acrescentou.
A delegação açoriana à Califórnia inclui, além da câmara municipal e do quinteto, a historiadora e autora Assunção Melo. Da agenda constam visitas às explorações agrícolas de imigrantes e lusodescendentes, contacto com os estudantes de português na Universidade em Fresno, a exibição em estreia do documentário "Two Countries, One Heart: The Sister Cities of Tulare and Angra", e uma noite de apresentação de livros e música.
Uma das mensagens de Fátima Martins é a abertura a mais contactos, intercâmbio e investimento entre as duas cidades. "Temos imigrantes que estão espalhados pela diáspora que estão a investir em Angra do Heroísmo, na área do turismo, e há sempre oportunidades", apontou.
A governante também lamentou a escassez de voos diretos entre a Califórnia e a ilha Terceira e os preços elevados das ligações que existem. "Nós tivemos este ano de 2026 situações complicadas na deslocação dos nossos imigrantes para a Ilha Terceira para as Sanjoaninas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias.