Ulrich Siegmund, de vendedor de fragrâncias a possível líder na Alemanha
O estado do leste da Alemanha vai a votos no próximo dia 06 de setembro e as últimas sondagens dão a AfD como a força política mais votada, com 40% dos votos, quase o dobro dos 20,8% obtidos nas eleições anteriores, em 2021.
Nascido em Havelberg, em 1990, e criado em Tangermünde, no norte da Saxónia-Anhalt, Siegmund chegou à política depois de uma passagem pelo setor privado. Estudou Psicologia Económica e Gestão de Empresas e trabalhou em vendas e marketing, mantendo atividade empresarial própria.
Antes de ingressar na AfD, teve uma passagem pela União Democrata-cristã (CDU) de Angela Merkel, entre 2009 e 2014. Em 2016 entrou na política da Saxónia-Anhalt e tornou-se uma das figuras mais conhecidas da AfD regional. Atualmente é presidente da bancada parlamentar do partido.
A ascensão de Ulrich Siegmund ganhou força durante a pandemia de covid-19, quando os seus vídeos começaram a circular nas redes sociais. Desde essa altura, construiu uma imagem de político comunicador, com uma presença forte no TikTok e um estilo deliberadamente descontraído.
Antes da política, teve uma carreira empresarial pouco habitual. Trabalhou na área das vendas e esteve ligado à comercialização de fragrâncias para ambientes, atividade que lhe valeu recentemente uma alcunha usada pelos adversários: "vendedor de velas perfumadas".
A comunicação digital é uma das marcas da sua campanha. Siegmund procura apresentar-se como um político próximo dos cidadãos e concentrado nos problemas concretos do estado, repetindo mensagens sobre migração, segurança, economia e burocracia.
Na questão económica, uma das suas propostas para enfrentar a falta de trabalhadores passa por incentivar o regresso de alemães que emigraram, além de apostar na automatização e na Inteligência Artificial. Na imigração, defende uma política de asilo mais restritiva e deportações mais rápidas.
A AfD da Saxónia-Anhalt é classificada pelo serviço regional de proteção da Constituição como organização comprovadamente de extrema-direita.
Siegmund esteve também associado à reunião realizada em Potsdam, em novembro de 2023, que reuniu figuras da direita radical e ficou conhecida pelo debate sobre "remigração".
A dimensão nacional da sua candidatura ficou particularmente evidente em agosto, quando o reconhecido 'media' alemão Der Spiegel colocou Siegmund na capa, acompanhado da manchete "Der gefährlichste Mann Deutschlands" — "O homem mais perigoso da Alemanha", na tradução em português.
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