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Após vitória histórica da extrema-direita, outras duas eleições arriscam a "sobrevivência" de Merz – e são "sinais de alerta" para a Europa

CNN Portugal ·
Após vitória histórica da extrema-direita, outras duas eleições arriscam a "sobrevivência" de Merz – e são "sinais de alerta" para a Europa

Depois de meses praticamente inalteradas, as sondagens antes das eleições deste domingo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no leste da Alemanha, e em Berlim, a capital do país, sofreram algumas alterações nas duas últimas semanas, desde que a ida às urnas no estado da Saxónia-Anhalt deu à Alternativa para a Alemanha (AfD) uma vitória histórica.

Foi a primeira vez que a extrema-direita se posicionou para formar um governo estadual desde o regime nazi – e face a isso, as alterações nas intenções de voto estão a ser lidas sob vários prismas. Um deles ficou patente num artigo publicado pela revista norte-americana The Economist a dois dias das votações de hoje, onde era referido que o recente aumento de popularidade do SPD (centro-esquerda) em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental poderá “frear o ímpeto da extrema-direita” no país.

Mas há quem não esteja tão otimista. “Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o cenário político antes da eleição de domingo mudou consideravelmente”, concede Tabea Schaumann, do European Policy Center (EPC). Isso não significa que a extrema-direita venha a ser travada. Com a AfD a angariar cerca de 37% das intenções de voto, o partido continua “claramente a ocupar o primeiro lugar”, ainda que isso não signifique forçosamente que vai vencer de forma estrondosa como aconteceu na Saxónia-Anhalt – onde a AfD continua em negociações com o BSW, o único partido que não se recusa a apoiá-la.

“Embora a AfD possa surgir como o partido mais forte, não há um caminho realista para a formação de um governo liderado pelo partido” no estado do leste, explica Schaumann. E com a CDU do chanceler Friedrich Merz “ainda fraca” nas sondagens, a rondar os 7% de apoios, “o SPD continua a ser o único eixo viável para a formação do governo”.

Já em Berlim, a situação é ligeiramente diferente. Na capital, “o cenário político é mais fragmentado, com CDU, SPD, Verdes, Die Linke, AfD e BSW a contarem todos com apoio expressivo”, adianta a analista do EPC. A AfD está presente, mas bem longe de ser o partido dominante como nos outros dois estados – e nos três casos, o grosso dos partidos continua a honrar o brandmauer, ou “cordão sanitário”, imposto à extrema-direita nos últimos 80 anos.

“O principal impacto do resultado da Saxónia-Anhalt em Berlim não diz respeito à formação imediata de governo, mas sim à atmosfera política, [porque] reforça a sensação de que o centro está sob pressão e de que cada eleição se tornou um teste à capacidade dos partidos tradicionais de conter o avanço da extrema-direita”, considera Tabea Schaumann, o que significa que “existe um risco real de a extrema-direita ganhar ainda mais força e capacidade de pautar o debate” em ambos os estados a votos este domingo.

Para Matthias Dilling, coordenador do Grupo de Especialistas em Política Alemã (GPSG) da Associação de Estudos Políticos do Reino Unido, os resultados de há duas semanas na Saxónia-Anhalt “certamente aumentaram ainda mais a relevância da decisão sobre como lidar com a AfD”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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