Orçamento do Estado: um jogo de sombras
O Orçamento de Estado para 2027 ainda não chegou ao fim do seu percurso parlamentar, mas já parece ter o desfecho anunciado.
O Partido Socialista antecipou a sua abstenção, garantindo ao Governo uma margem de segurança política, antes de conhecermos plenamente as escolhas que irão marcar o próximo ano.
E é precisamente aqui que começa o problema.
Há uma semana escrevi sobre a possibilidade de termos um Orçamento sem boas novidades.
Hoje, perante os desenvolvimentos políticos, receio que a maior novidade seja outra: a facilidade com que o PS e PSD parecem encontrar entendimento quando está em causa a sua própria estabilidade.
O argumento socialista é conhecido: evitar uma crise política e não empurrar o país para novas eleições.
A estabilidade é importante, naturalmente.
Mas não pode transformar-se numa desculpa permanente para aceitar políticas que não respondem às dificuldades dos portugueses.
É legítimo perguntar se esta posição resulta de uma verdadeira avaliação do interesse nacional ou também do receio de regressar às urnas, num contexto de crescimento político do Chega.
A democracia não pode funcionar com partidos que defendem alternativas em público, mas receiam que os portugueses sejam novamente chamados a escolher.
Estamos perante um jogo de sombras.
O Governo apresenta-se como responsável pela estabilidade, o PS procura preservar a imagem de oposição e, no final, ambos acabam por contribuir para a continuidade de um modelo que há demasiado tempo adia as reformas necessárias.
Entretanto, o país real continua à espera.
As famílias enfrentam dificuldades para pagar a habitação, os alimentos e os combustíveis.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.