Uma só bebida alcoólica por dia pode aumentar o risco de morte por diversos tipos de cancro
O álcool pode desempenhar um papel mais importante do que se pensava na mortalidade por vários tipos de cancro, de acordo com um novo estudo realizado nos Estados Unidos.
“Embora seja verdade que a mortalidade global por cancro tenha diminuído, descobrimos que a percentagem de mortes por cancro atribuíveis ao álcool aumentou mais de 58 % nas pessoas com 20 anos ou mais nos últimos 33 anos”, afirma o primeiro autor do estudo, Chinmay Jani.
O aumento do risco de morte aplica-se aos cancros da mama, da próstata, do cólon, do reto, do estômago, do pâncreas e do fígado, bem como aos cancros da cabeça e do pescoço, revela a investigação.
“De um modo geral, sabemos que o álcool está intimamente relacionado com a mortalidade por cancro do fígado”, diz Jani, chefe hematologia e oncologia no Sylvester Comprehensive Cancer Center da Universidade de Miami.
“Entre adultos com idades compreendidas entre os 20 e os 54 anos, o cancro colorretal foi a principal causa de morte por cancro atribuível ao álcool nos homens e a segunda principal causa nas mulheres, ultrapassando o cancro do fígado em ambos os grupos”, revela. “Nas mulheres, a principal causa de morte por cancro relacionada com o álcool foi o cancro da mama.”
Não é preciso muito álcool para aumentar o risco — cerca de uma bebida por dia, todos os dias, diz Jani. Nos EUA, uma bebida padrão equivale a 355 ml de cerveja, 148 ml de vinho ou 44 ml de uma bebida espirituosa com 40% de teor alcoólico.
Durante décadas, as diretrizes federais recomendaram aos americanos que limitassem o consumo de álcool a duas doses por dia para homens e uma dose por dia para mulheres. Em janeiro, a administração Trump eliminou esses limites, sugerindo, em vez disso, que as pessoas deveriam " consumir menos álcool para uma melhor saúde geral ".
Embora tomar um cocktail todas as noites já tenha sido considerado aceitável, estudos atuais mostram que essa é uma crença ultrapassada, diz o cardiologista Andrew Freeman, diretor de prevenção e bem-estar cardiovascular na National Jewish Health, em Denver.
“O que costumávamos pensar sobre o álcool tem vindo a ser desmentido, à medida que a ciência moderna nos mostra que não existe uma quantidade segura de consumo de álcool”, explica Freeman, que não esteve envolvido nesta nova investigação. “Este estudo, em conjunto com vários outros, sugere que os riscos associados ao consumo precisam de um reconhecimento muito mais amplo.»”
O Conselho de Bebidas Destiladas dos Estados Unidos, que representa o setor, disse à CNN, por e-mail, que a alegação de que "não existe um nível seguro de consumo de álcool" não é corroborada por este estudo.
“Isso deturpa o conjunto de evidências científicas e a complexa relação entre o álcool e a saúde”, afirma Amanda Berger, vice-presidente sénior de ciência e investigação do Conselho.
De acordo com o Instituto Nacional do Cancro (NCI), o álcool contribui de várias formas para o aumento do cancro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.