A agente involuntária: como o FSB recrutou uma antiga Pussy Riot
A artista e ativista Margarita Konovalova, ou Rita Flores, antiga membro do coletivo punk-rock russo Pussy Riot
A antiga “Pussy Riot” Rita Flores diz que os serviços secretos russos a obrigaram durante três anos a espiar outros ativistas, e que lhe pediram ajuda para atrair um opositor a uma emboscada mortal. Fugiu da Rússia no final de agosto. Agora, decidiu contar como funcionava a pressão do FSB.
Durante três anos, Rita Flores trabalhou para trabalhou para as secretas russas. Conta que tentou proteger as mesmas pessoas sobre quem tinha ordens para informar.
Agora, na primeira entrevista à imprensa desde que saiu do país, a artista e ativista russa de 29 anos explicou ao The Guardian como foi recrutada e controlada pelo FSB, e admite que aceitou colaborar depois de ameaças contra si e contra a mãe.
Antiga membro do coletivo Pussy Riot , Flores diz que começou por entregar informação sobre artistas e ativistas da oposição. Mais tarde, as missões tornaram-se mais graves. Em maio, segundo Flores, os agentes pediram-lhe ajuda para atrair Pyotr Verzilov , antigo associado das Pussy Riot, até à Sérvia. Uma equipa do FSB estaria à espera para o raptar e matar.
Flores acabou por fugir da Rússia no final de agosto. Poucos dias depois contou a história numa conversa em vídeo com o advogado Dmitry Zakhvatov , que a ajudou a preparar a fuga.
“Pela primeira vez em anos, sinto-me calma. Todo este tempo sonhei em sair e poder falar sobre isto tudo”, disse.
O Guardian não conseguiu confirmar de forma independente os pormenores do relato. O jornal lembra, porém, que houve vários casos de infiltração do FSB em grupos da oposição russa nos últimos anos.
Também conhecida por Margarita Konovalova , Flores está ligada às Pussy Riot desde 2020, quando foi detida depois de uma performance junto ao Kremlin. Cumpriu várias penas curtas de prisão e foi repetidamente alvo de vigilância e buscas domiciliárias. A pressão aumentou depois da invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Segundo Flores, dois homens ficaram em casa depois da operação e apresentaram-se como agentes do FSB. Ameaçaram abrir-lhe um processo-crime, ao abrigo das leis de censura de guerra, por causa de uma publicação no Instagram em que criticava as mortes provocadas pela Rússia na Ucrânia. Também lhe disseram que podiam mandar matar a mãe se ela não assinasse os documentos de colaboração.
“Acreditei neles. Acreditei que podiam fazer tudo o que diziam que iam fazer… O meu medo era demasiado grande “, contou.
Flores assinou e recebeu de uma só vez 30.000 ou 40.000 rublos. As primeiras tarefas eram simples: recolher informação sobre artistas da oposição que frequentavam os mesmos meios e transmiti-la ao FSB.
Os dois agentes que a recrutaram tornaram-se os seus contactos habituais. Um deles, mais graduado, apresentava-se com nomes diferentes e fazia as ameaças mais diretas. Flores acabou por lhe chamar “ o Casaco “, por causa do fato preto brilhante que gostava de usar. O outro, Ivan, tentava ser simpático e prestável.
“O Casaco era malcriado, ameaçador, insultava-me por eu ser mulher. Era o diabo em pessoa”, recordou.
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