Jovem de 16 anos foge à enxurrada no Nepal com o avô às costas
No Nepal, Abhishek Sharma, de 16 anos, saiu de casa a caminho da escola quando Devighat ainda era a aldeia que conhecia, mas antes de terminar a manhã regressava a correr pela mesma estrada, com a água a atravessar-lhe o caminho e o avô às costas, enquanto a cheia avançava sobre as casas que acabara de deixar para trás.
A meio do percurso, cruzou-se com o diretor da escola, que vinha em sentido contrário e lhe ordenou que regressasse.
"Disse-me: 'Não vás para a escola. Vem aí uma inundação'", recorda o adolescente à EFE, a poucos metros do local onde ficava a sua casa.
Abhishek deu meia-volta e começou a descer pela estrada que acabara de subir, mas, nessa altura, a água já atravessava a via. Pôs-se a correr e, mais à frente, encontrou o avô sentado junto à estrada.
A família conseguiu chegar a uma zona elevada e pôr-se a salvo. Ninguém ficou ferido, mas a casa para a qual Abhishek tinha tentado regressar naquela manhã desapareceu por completo.
Em Devighat, no distrito de Nuwakot, a lama, as pedras e os escombros acumularam-se vários metros acima das antigas ruas, deixando algumas casas praticamente enterradas até à altura dos telhados.
No interior de várias permanecem cadáveres que, cinco dias depois, ainda não puderam ser recuperados, porque a instabilidade do terreno impede, em alguns pontos, a entrada de maquinaria pesada, constatou a EFE durante uma visita à localidade.
Devighat é uma das povoações atingidas pelas inundações que devastaram vastas zonas do Nepal, provocando centenas de mortos, deixando milhares de pessoas ainda por localizar e destruindo ou isolando estradas, pontes e comunidades inteiras.
As autoridades mantêm o balanço em aberto, enquanto as equipas de socorro tentam chegar a zonas isoladas e recuperar corpos que continuam presos sob casas e escombros.
Abhishek e a família permaneceram cinco dias na montanha antes de serem transferidos para um hospital ayurvédico da zona, atualmente utilizado como abrigo por alguns dos sobreviventes.
Quando a EFE volta a vê-lo, o adolescente caminha por Devighat acompanhado por três amigos de idade aproximada à sua. Passam junto à vedação de um centro improvisado para receber os cadáveres recuperados, onde drones aterram com corpos presos a macas, e continuam depois pelas ruas cobertas de lama da aldeia onde viveram.
Abhishek fala da manhã da inundação com frases breves. A certa altura, ri-se enquanto responde e depois volta a contar como encontrou o avô e o carregou às costas.
Agora atravessa com os amigos uma aldeia onde algumas casas continuam enterradas com os seus mortos lá dentro e onde a sua já não existe.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.