"A automedicação é uma consequência da falta de acesso ao...
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Quem nunca se automedicou que atire a primeira pedra. E quem nunca recomendou um comprimido infalível à vizinha ou conhece o nome de novos medicamentos a partir da boa experiência de um amigo ou familiar, que atire outra pedra. Neste episódio, vamos tentar saber o que leva à automedicação, por que é tão perigosa e se a dor crônica é ou não um dos motivos que mais justifica este comportamento, que pode ser de risco. Eu sou a Cláudia Pinto e este é o podcast Conversas sobre Dor.
E eu sou o Paulo Farinha e temos conosco duas convidadas. Nélia Isaac, médica de família da USF Emergir, em São Domingos de Rana, que faz parte da Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental, integrou a equipa da Consulta de Dor Crônica dos Cuidados de Saúde Primários de Cascais e é subcoordenadora do Grupo de Estudos de Dor da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. E Carolina Santos, investigadora na Nova SBE, com doutoramento em Economia, foi consultora na área de economia em saúde e avaliação de resultados em saúde. Carolina, começo por si. O relatório "Automedicação em Portugal: Práticas Determinantes e Perfis Comportamentais", publicado em dezembro do ano passado pela Nova SBE, conclui que quase 52% dos inquiridos, numa amostra de mais de mil pessoas com mais de 15 anos, afirmam já ter recorrido à automedicação em algum momento da vida. E isto acontece sobretudo em situações ou sintomas ligeiros, como uma gripe ou a dor de cabeça. Entretanto, a Nova SBE está a trabalhar num novo estudo, a publicar até o final deste ano, 2026, do qual já existem dados preliminares. O que é que dizem as novas conclusões?
Antes de mais, obrigada pela oportunidade para estar aqui convosco a discutir um tema tão relevante. Antes de mais, só fazer aqui uma pequena distinção. O relatório que publicámos no ano passado, em dezembro de 2025, foi integralmente dedicado à automedicação. O que sucede com este relatório que vamos publicar no final de 2026, é que dá seguimento a um estudo que já se faz desde 2013 e tem sempre uma rúbrica dedicada à automedicação. E aqui o que vemos é que cerca de 41% dos indivíduos teve um episódio de doença em 2025 e nestes primeiros meses de 2026, ou seja, nos 12 meses anteriores à realização do inquérito. Mas vemos também que há um aumento nas pessoas que, sentindo-se doentes, procuram ajuda profissional no sistema de saúde. E aqui digo sistema de saúde, porque pode ser tanto no Serviço Nacional de Saúde como no privado. E diminuiu ligeiramente, face a 2025, a percentagem de indivíduos que, tendo-se sentido doentes, não procuraram ajuda profissional e dentro desses, que se automedicaram. E para dar aqui uma ideia, temos que quase 62% dos indivíduos que, sentindo-se doentes, não procuraram ajuda profissional, automedicaram-se, face a cerca de 76% em 2025.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.