Patrícia quis tanto ir à frente que acabou como o pai
Eram duas no meio de 12. Portugal encerrou a sua presença nos Campeonatos da Europa ao ar livre, em Birmingham, com aspirações a conquistar uma medalha, dado que era um dos três países com mais do que uma atleta na final dos 1.500, a par de França (colocou 3), Rep. Irlanda e Polónia. Patrícia Silva e Salomé Afonso foram as obreiras do feito nacional. Nas eliminatórias, Silva venceu a sua série com 4.08,10 minutos e partiu na pole position , ainda que tivesse bem perto de si Sarah Healy, Agathe Guillemot, Weronika Lizakowska e Sophie O’Sullivan, todas da sua manga, que se encontravam a meros 77 centésimos da portuguesa. Ainda assim, Patrícia era uma das cinco atletas presentes na final que já baixaram dos quatro minutos (3.58,74) e detinha o terceiro melhor recorde pessoal. Por outro lado, Afonso apurou-se com 11.º melhor tempo (4.10,07), partindo como a 14.ª melhor atleta da Europa em 2026.
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“Normalmente, não sou uma corredora que faz a prova na frente, mas acabei por ficar ali, numa situação um bocadinho nova para mim, sem ver ninguém. Foi um bocadinho assustador, porque nunca sabemos quem é que vem e com que força, sendo que eu sabia que tinha de ser forte no fim. Deparei-me com esta situação de estar na frente, não é uma posição que me seja muito natural, mas a verdade é que para ganhar corridas temos de estar à frente. Foi o meu dia de ir à frente e felizmente consegui terminar à frente. Se for preciso, amanhã [no domingo] faço igual, e logo vemos como corre” , partilhou a atleta do Sporting que conquistou o bronze nos 800 metros nos Mundiais de pista curta de Nanjing-2025.
“De facto, estava particularmente nervosa. Em Mundiais esperamos uma prova mais rápida, que filtra muito os atletas que se qualificam, enquanto que, nos Europeus, é sempre mais aberto e as qualificações que parecem acessíveis, por vezes tornam-se um jogo de cartas em que quem tem a melhor tática é que passa. Na final é acreditar muito, confiar muito em mim, porque a época de ar livre não tem sido o que eu esperava. No entanto, o treino tem sido muito bom, estou completamente saudável e, portanto, só tenho de confiar no processo e acreditar que na final vai ser materializado tudo aquilo que ainda não foi”, assumiu a benfiquista, que foi prata nos 1.500 e bronze nos 3.000 metros em Apeldoorn-2025, também indoor .
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Para esta final, a britânica Georgia Hunter Bell, que chegou aos 3.55,63 minutos em 2026, partia como clara favorita, numa lista que incluía ainda Agathe Guillemot (3.56,34). Salomé aproveitou a segunda posição na partida para assumir o ritmo no início e passou aos 800 metros ainda na frente, numa altura em que Patrícia procurava subir no grupo por fora. À entrada para a última volta, as portuguesas passaram na quarta e quinta posições. Salomé foi a primeira a quebrar, ao passo que Patrícia integrou o grupo da frente e lutou pela medalha até ao fim, ultrapassando Agathe Guillemot no sprint final.
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