"Não admito que alguém do Chega tenha vandalizado gabinete"
Cristina Rodrigues considera que o presidente da Assembleia da República “extravasou em muito as suas funções” ao tentar impedir a comissão parlamentar de inquérito a Luís Neves proposta pelo Chega. A deputada e dirigente do Chega garantiu que o partido vai “reformular” o objeto do inquérito, mas sem “reduzir a amplitude”, porém recusa aproximar-se demasiado do objeto da CPI proposta pelo JPP que “não interessa a ninguém” por “não ir a todos os pontos”.
Em entrevista no programa Vichyssoise, da Rádio Obsevador, Cristina Rodrigues sugeriu que o Chega vai insistir na redução do IVA dos combustíveis no Orçamento do Estado e explicou que se deve “pedir autorização” a Bruxelas para contornar a regra que impede Portugal de efetuar essa descida fiscal. Além disso, não rejeita a possibilidade de alguém do Chega ter entrado no gabinete de André Ventura na Assembleia da República para o vandalizar.
Aguiar-Branco está a tentar proteger o Governo? No fundo, está. A ideia que passa é que há aqui uma tentativa de José Pedro Aguiar-Branco de impedir a CPI. E que quem quer impedir a CPI é, efetivamente, quem pode estar, de alguma forma, abrangido por estas questões todas do Luís Neves. O Luís Montenegro na moção de censura protegeu o Governo e essa necessidade de proteção está a alastrar-se a outras figuras de Estado.
Mas se o objetivo era não haver uma CPI, porquê aprovar a do JPP? Era muito útil que isso acontecesse para poder dizer que rejeitou a nossa CPI com base em critérios técnicos e não em critérios políticos. Mas é evidente que não foi. Ele aceitou a CPI do JPP porque tem um objeto muito mais brando e porque sabe perfeitamente que aquela CPI não vai passar, porque o PS e o PSD já disseram que não iria passar. Aquilo foi uma escapatória do presidente da Assembleia da República para tentar justificar um ato que é injustificável, é inconstitucional, é ilegal. Nada nos garante que agora vá aceitar um novo objeto que eventualmente o Chega prepare. De qualquer forma, vamos fazê-lo, vamos tentar que esteja um objeto mais determinado, mais claro, para que seja finalmente aceite.
Ao assumir que ia “limitar um pouco mais” o objeto da CPI, o Chega não está a admitir, de alguma forma, que o presidente da Assembleia da República pode ter alguma razão? Não tem razão nenhuma. A questão é que não temos outra hipótese: ou desistimos ou vamos fazer recurso da decisão do presidente da Assembleia da República e quem vai decidir o recurso? É o plenário da Assembleia da República. Alguém acredita que o PS ou o PSD iriam votar a favor do recurso do Chega? Sabemos que não. E, portanto, estamos confrontados com uma inevitabilidade.
Se aceitar a Comissão Parlamentar de Inquérito com esse objeto mais limitado cai por terra a ideia de que queria travar de forma definitiva. É isso que vamos ter que ver porque sabemos que a delimitação do objeto condiciona o trabalho da própria comissão. Tivemos esse problema quando foi a CPI das gémeas porque em diversas circunstâncias houve prova que se tentou obter e que foi limitado o acesso porque não constava no objeto ou porque havia uma interpretação do objeto que não abrangia determinada situação.
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