Fintar o Diabo com elegância açucarada
Em 1587, aparecia em Frankfurt um pequeno livro.
Contava a “verdadeira história” do Dr.
Faustus, um estudioso que vendeu a sua alma ao diabo.
Este prometeu servir Faustus, responder a todas as suas perguntas e nunca mentir.
Como contrapartida, Faustus renunciaria a Deus e cederia o seu corpo e alma ao diabo passados 24 anos.
Faustus desfrutou de vastas riquezas e prazeres proibidos, viajou pelo universo e aprendeu os segredos do cosmos.
No final, o diabo recebeu o que lhe era devido.
Desde então, Fausto tem fascinado a imaginação ocidental.
E tornou-se uma história contada e recontada – primeiro em teatros de marionetes, depois em tragédias, poemas, ballets, óperas, sinfonias, romances e filmes.
O Fausto de Gounod, ópera em 5 atos O jovem Charles Gounod deixou-se enfeitiçar pelo Fausto de Goethe aos 20 anos.
Desde que fora hóspede na Villa Médicis que a tradução francesa não mais o abandonou.
Mais tarde, o Fausto de Hector Berlioz convencia de vez o jovem Gounod da necessidade de pôr em cena um Fausto seu.
E assim fez, com libreto de Jules Barbier e Michel Carré.
Ainda que afastada do espírito goethiano – este é um Fausto sonhador e aburguesado -, sofreu diversas afinações para se libertar do rótulo de “ópera complexa”, acabando por conhecer, logo no séc.
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