"Descobrir o endereço e atirar um tijolo": Montenegro denuncia vídeo com "ameaças" à sua casa e família
“A gente precisa de descobrir o endereço do primeiro-ministro e jogar [gíria em português do Brasil que significa atirar] um tijolo.” É de noite e o plano está fechado, mas percebe-se que dezenas de pessoas estão a ouvir as palavras de um homem que está de pé a falar ao microfone.
Estas são as primeiras declarações de um vídeo que foi referido pela primeira vez pelo primeiro-ministro, que acusou os manifestantes que se reuniram no Porto em protestos contra os preços da habitação de egoísmo. Não se percebe exatamente em que cidade será ou qual o dia em que foram proferidas estas palavras, mas a julgar pelas acusações de Luís Montenegro, o Governo acredita que são dos protestos que se juntaram nos últimos dias na cidade do Porto.
Mas Luís Montenegro foi mais longe. A partir de Bruxelas, onde participou no Conselho Europeu, referiu que existem imagens que comprovam que há uma ameaça à sua casa e à sua família.
Minutos depois das palavras do chefe do Governo, o próprio palácio de São Bento divulgou as imagens, filmadas de forma amadora e num plano picado.
“Acabou! Ontem acabou. Acabou essa porra de ser pacífico. É para queimar alguma coisa sim”, continua a pessoa que lidera o protesto naquele momento.
É a estas palavras que Luíss Montenegro se refere, referindo que há “uma das passagens das intervenções feitas nessas manifestações”, onde “se faz um apelo direto à violência, à importação de conflitualidade (…) que tem ocorrido noutros países”.
“Onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família”, afirmou.
No entanto, o primeiro-ministro afirmou ter “toda a compreensão que as pessoas queiram respostas” na habitação e que “possam expressar a sua indignação sobre aquilo que, no entender delas, possam ser omissões das políticas ou um alinhamento menos condizente com essas ideias”.
“Nós temos todo o respeito pela expressão de indignação, de preocupação, de opinião política sobre todos assuntos, e naturalmente sobre o assunto da habitação, que não é um assunto novo no nosso debate político, nem é um desafio novo no nosso país”, referiu.
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