O que uma ilha me ensinou sobre IA
Antes de falar de tecnologia, deixa eu falar de uma ilha.
Anos atrás, quando eu estava no seminário, fui enviado a uma comunidade chamada Mocooca, no interior do Pará, região do Salgado.
Fica numa ilha onde a vida gira em torno da pesca e da maré, Maiandeua.
Na maré baixa, aparece um canal onde o rio encontra o mar, e a travessia só existe para quem sabe ler a água.
Cheguei de barco, deslumbrado com aquela exuberância, carregando uma missão desafiadora: falar de Deus, de amor e de um caminho para pessoas que eu nunca tinha visto na vida.
Eu tinha duas opções.
A primeira era despejar sobre aquela gente tudo o que eu achava que sabia.
Eu tinha estudo, tinha conteúdo, tinha o sermão pronto na cabeça.
E teria errado feio, porque palavra decorada não atravessa: afunda no meio do canal.
A segunda foi a que escolhi.
Escutei .
Fiquei hospedado na casa de dona Sofia, já perto dos noventa anos, cega.
Cega, e enxergando das pessoas tudo o que eu, com dois olhos funcionando, não via.
Foi dela que ouvi da maré, das redes e do Biro Biro, o filho que foi embora para Belém tentar a vida.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.