Capixabas transformam esporte e solidariedade em projetos que inspiram
Uma promessa feita durante a recuperação do marido e a paixão de um grupo de amigos pelo futebol deram origem a dois projetos que hoje transformam comunidades da Grande Vitória. Em Viana e Cariacica, as iniciativas acolhem famílias e oferecem atividades esportivas, culturais e sociais para moradores de diferentes idades.
No bairro Marcílio de Noronha, em Viana, Adriana Aquino transformou uma promessa no Projeto Amor Solidário, que atualmente atende mais de 300 famílias. A iniciativa começou com uma brinquedoteca e ganhou novas atividades à medida que crescia.
“Iniciamos com a brinquedoteca, depois o Som da Infância, Mulheres do Crochê do Amor e, agora, Mulheres que Nutrem”, contou Adriana.
O espaço também se tornou um ponto de encontro para as crianças da comunidade brincarem. Para Adriana, que enfrentou a pobreza durante a infância, acompanhar o crescimento do projeto é motivo de orgulho e reconhecimento pela trajetória construída.
“Muita gratidão. Eu vim da cena da pobreza, morava dentro de palafita, comia comida do lixo. Não tenho vergonha de falar, tenho muito orgulho da pessoa que eu sou. Eu sou de uma linhagem de mulheres que não desistem. E eu não vou desistir”, afirmou Adriana.
Em Nova Rosa da Penha, Cariacica, a Associação Cultural, Esportiva e Lazer nasceu em 2014, quando Roniel Monico Ramos da Silva e outros seis amigos decidiram criar uma escolinha de futebol. “A gente tinha um gosto pelo futebol, pelo esporte em si. Juntou um grupo de seis, sete pessoas, e a gente falou: ‘O mundo está começando a dificultar o esporte, então vamos criar um projeto?’”, relembrou Roniel.
Com o passar dos anos, a iniciativa ultrapassou as quatro linhas do campo. Atualmente, oferece jiu-jítsu, judô, capoeira, natação para crianças autistas e ginástica para idosos, além de outras ações sociais. “A gente entendeu que não era só o esporte que transformava vidas. São vários eixos, e a gente quis trazer isso para a comunidade. Foi bacana porque teve muita aceitação”, explicou o idealizador.
Entre os participantes está Cauã Emanuel dos Santos, que treina no projeto há dois anos e sonha em ser jogador de futebol. “Meu futuro é fazer faculdade, estudar. Quando crescer, quero ser jogador, jogar no Flamengo”, contou.
J oão Pedro Soares também pretende seguir no esporte. A mãe dele, Geane Alves Braga, percebeu mudanças no comportamento do filho desde que ele começou a participar das atividades, aos seis anos. “Hoje ele está com 10 anos. Ele mesmo já fala: ‘Mãe, hoje tem treino’. Sem esse projeto, a maioria deles estaria na rua, mas ele tem ajudado muito, muito mesmo”, destacou Geane.
Para Roniel, os resultados aparecem na trajetória das crianças que cresceram dentro da associação e passaram a construir novos caminhos. “O orgulho e a gratidão vêm de a gente ter jovens e crianças que passaram com a gente desde os sete anos e hoje se tornaram homens de bem. Saem muitos frutos daqui, não só do esporte, mas da educação e da tecnologia. É isso que a gente vai incentivando: a autoestima da comunidade”, afirmou.
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