ES: Vigias são acusados de agredir pessoas em situação de rua; uma morreu
Nove funcionários de uma empresa de segurança privada são acusados de sequestrar, torturar e matar um homem em situação de rua na região da Grande Vitória, no Espírito Santo; investigação descobriu que outras vítimas também sofreram agressões.
Funcionários, que trabalham para a empresa Tattica Tecnologia e Segurança Eireli, foram denunciados pelo Ministério Público. A denúncia, oferecida em 21 de julho, diz que o grupo agia violentamente contra pessoas em situação de vulnerabilidade desde 2024, na região da Praia do Suá e Enseada do Suá.
Além do homem que foi morto, polícia identificou mais sete vítimas. Todas elas eram pessoas em situação de rua, que teriam cometido pequenos furtos em condomínios atendidos pela empresa, ou consideradas "inconvenientes" por clientes. Elas foram sequestradas, agredidas e, em alguns casos, torturadas.
Em um dos registros encontrados pela polícia, suposto coordenador dos vigias sugeria agressões letais. Ralson Amâncio Chagas, apontado como líder do grupo, disse aos colegas: "a gente vai amassar e vai até finalizar".
Delegado-geral do ES, Jordano Bruno, definiu o caso como "barbárie". "É algo nos dias de hoje, em plena região metropolitana da Grande Vitória, quase inimaginável. Algo tão perverso e desumano, uma barbárie que estava sendo cometida com pessoas em situação de rua, de extrema vulnerabilidade".
Delegado também diz que investigação deixou claro que grupo sequestrava e espancava as vítimas. "Esses indivíduos, que realizavam essas rondas, contratados por condomínios, estavam utilizando desta função para poder fazer com que essas pessoas [em situação de rua] desaparecessem dos locais em que eles circulavam. Ao longo da investigação ficou bem caracterizado que eles basicamente sequestraram essas pessoas e espancaram elas. Em um dos casos, esse espancamento foi uma forma de execução".
Oito dos denunciados respondem por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e organização criminosa. Um deles não participava das rondas, mas participou do homicídio. Um dos suspeitos está foragido. Os suspeitos são:
A investigação era, a princípio, sobre um desaparecimento. A mãe de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues procurou a polícia em abril após não encontrar mais o filho, que vivia embaixo da Terceira Ponte. Com isso, caso foi assumido pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas.
Investigação revelou que Marcos Vinícius foi alvo do grupo duas vezes . A primeira ocorreu em 8 de março, no bairro Prainha, em Vila Velha, após ele ser apontado como autor de um furto em condomínio. Marcos Vinicius foi sequestrado, espancado e teve dentes arrancados com um alicate, numa sessão de tortura que os próprios vigias filmaram.
Dias depois, ele foi sequestrado e morto. Na madrugada de 16 de março, Marcos Vinícius teria invadido e furtado a sede da empresa Tattica, o que o grupo interpretou como uma afronta. Não consta um boletim de ocorrência referente à invasão, segundo o relatório da investigação.
Ralson, líder do grupo, elaborou uma estratégia específica para Marcos Vinícius.
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