Kinea vê bolsa brasileira descontada pelos juros e define caminhos para investimentos antes de eleições
A bolsa brasileira pode parecer barata para quem olha apenas para os múltiplos, mas a Kinea , que faz parte do Grupo Itaú Unibanco , chama atenção para outro componente dessa conta: a taxa de juros usada para avaliar o preço das empresas.
Em novo relatório divulgado nesta quinta-feira, 17, a gestora afirma que o desconto do mercado acionário está mais relacionado ao custo elevado do dinheiro do que à qualidade dos negócios listados.
O Ibovespa negocia atualmente próximo de oito vezes os lucros projetados, abaixo da média histórica de cerca de dez vezes.
Ao mesmo tempo, o juro real de longo prazo está perto de 8% ao ano.
Para a Kinea, esse nível de juros reduz o valor presente dos fluxos de caixa das empresas e também pressiona os próprios lucros, principalmente entre companhias domésticas mais endividadas.
“O desconto não está nas ações, está nos juros”, afirma a equipe de pesquisa.
O problema não é apenas o custo do dinheiro.
O relatório também chama atenção para o crescimento dos lucros das empresas brasileiras, que tem sido limitado na última década.
Em dólar, o lucro projetado das companhias está 36% abaixo do nível de 2010, segundo os dados inclusos.
Continua após a publicidade É nesse cenário que as eleições ganham importância para o mercado.
A gestora projeta que uma sinalização de controle fiscal capaz de levar o juro real de longo prazo de cerca de 8% para 7%, por exemplo, poderia provocar uma reprecificação relevante das ações.
Em uma simulação com queda de 100 pontos-base, a Kinea estima uma alta de 10% a 15% no valor presente das ações.
No entanto, esse potencial depende da política econômica adotada pelo próximo governo.
Uma trajetória de juros menores poderia favorecer múltiplos, crédito, consumo e resultados corporativos.
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