‘As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você’ aposta nos clichês adolescentes para falar de luto
Com o destaque brasileiro nas últimas edições do Oscar, por Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025) , o público geral percebeu que o cinema brasileiro pode ser um grande apelo internacional, indo além das comédias besteirol.
Já estava na hora dos clichês adolescentes ganharem seu toque de brasilidades.
Se histórias à la John Green conquistam o público jovem mesmo ao retratar realidades americanas distantes das nossas, As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você (2026) mostra que também é possível adaptar a fórmula de A Culpa é das Estrelas (2014) às nossas próprias vivências.
Baseado no livro de mesmo nome de Fernanda de Castro Lima , o longa acompanha Gabi , interpretada pela carismática Any Gabrielly ( Habeas Corpus ), que precisa lidar com a morte da melhor amiga, Julia ( Giulia Be , Depois do Universo ), vítima de um acidente de carro.
Antes de partir, a jovem, conhecida por sua energia e disposição para se jogar na vida, deixa dez cartas para Gabi , cada uma acompanhada de desafios que a incentivam a enfrentar a perda e seguir em frente.
A proposta funciona quase como uma cartilha para atravessar o luto — um passo a passo que, embora simplifique um processo complexo, pode ser eficiente segundo o próprio diretor.
A jornada de luto é entrecortada por flashbacks em que Gabi conversa com uma Julia imaginária.
Embora algumas cenas flertem com o exagero, elas funcionam ao traduzir a dificuldade da protagonista em aceitar a ausência da melhor amiga.
A dor de Gabi , bem representada por Any Gabrielly , é palpável, mas a fórmula deixada por Julia acaba sem espaço para se aprofundar em todas as dez cartas.
À medida que os desafios são apresentados, novas subtramas ganham espaço, como a chegada de Lorena ( Pamela Germano , O Mistério da Carne ), que surge para ocupar o posto de nova amiga de Gabi .
Com isso, o filme por vezes apressa etapas de uma reconstrução emocional que merecia mais tempo em cena.
Lorena é uma das personagens mais cativantes do filme.
Mesmo quando os diálogos recorrem a frases que soam artificiais — um problema que atravessa o roteiro como um todo —, Pamela Germano consegue dar vida, humor e carisma à personagem.
O mesmo vale para a amizade entre Gabi e Julia : a química entre Any e Giulia torna convincente a relação das protagonistas e ajuda a dar peso emocional à perda.
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