União Europeia suspende importações de carne brasileira a partir de 5ª feira
O Brasil foi retirado em maio de uma lista de países que respeitam as regras da UE sobre o uso abusivo de antibióticos na indústria pecuária, em meio à pressão desse setor após a assinatura do acordo de livre-comércio com os países do Mercosul.
A Comissão Europeia reprova o Brasil por não ter apresentado garantias suficientes a esse respeito.
"O Brasil é um parceiro importante da UE e estamos trabalhando em estreita colaboração para garantir que cumpra esses requisitos. Uma vez que esse cumprimento seja demonstrado, as exportações para a UE poderão ser retomadas", afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia à AFP.
As medidas da UE fazem parte de sua política para combater a resistência dos microrganismos aos medicamentos, evitando o uso desnecessário de antibióticos.
As normas proíbem seu uso na pecuária para promover o crescimento, enquanto também não é permitido utilizar antimicrobianos reservados para infecções humanas.
Carlos Roberto dos Santos, pecuarista de Barretos, no estado de São Paulo, defendeu o uso de alguns desses produtos e afirmou que a medida busca, na realidade, proteger os produtores europeus.
O antibiótico questionado por Bruxelas "é um promotor de crescimento, ajuda o boi a digerir o pasto e a ração para que ele ganhe mais peso, não é um antibiótico para tratar uma doença do boi", disse à AFP.
O que acontece é que "o custo de produção lá muito alto. Um fazendeiro europeu não tem como competir comigo" e, se um governo "importar carne barata, vai acabar com o agro do seu país", explicou em sua fazenda em Barretos.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para a UE, com mais de 92 mil toneladas de produtos, que representaram mais de 713 milhões de euros.
A suspensão das importações também afeta ovos e mel, e o Executivo europeu não quis estabelecer um prazo para uma eventual retomada.
No caso da carne de aves e do mel, há uma auditoria em andamento que deve ser concluída na sexta-feira e, se seus resultados forem satisfatórios para a UE, as importações brasileiras poderão voltar a ser autorizadas nas próximas semanas.
Por outro lado, os prazos poderão ser mais longos para a carne bovina devido à duração dos ciclos de produção, informou a Comissão Europeia.
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), assinado em janeiro deste ano, entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio.
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