Já é tarde demais para deter a ameaça da inteligência artificial
Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades
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Um festival de incoerências sobre as políticas de inteligência artificial explodiu nas últimas semanas.
É uma reação a agentes de IA que se rebelam contra seus desenvolvedores, a agentes mal-intencionados que começam a usar sistemas de IA para criar armas melhores e a desenvolvedores de IA que nos dizem que precisam desacelerar —mas sugerem que não podem fazer isso a menos que a China também o faça e que, mesmo que Pequim o faça, talvez eles não devam, porque as vantagens de liderar esse setor são enormes.
Ao menos um formulador de políticas é claro. O presidente Donald Trump declarou em uma publicação nas redes sociais : "O único controle ou ‘barreira de proteção’ de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (QI alto!), e os EUA têm isso de sobra!"
Tudo isso me deixou com uma dúvida: os robôs de IA já têm senso de humor? Porque, se têm, meu Deus, devem estar rindo tanto de nós que talvez estourem uma ou duas redes neurais. Afinal, viramos uma confusão completa ao tentar descobrir como administrar essa nova espécie de IA que criamos.
Antes de apresentar —com a ajuda de meu amigo e tutor de tecnologia Craig Mundie, ex-chefe de pesquisa e estratégia da Microsoft — algumas recomendações de políticas públicas sobre como pôr ordem nessa bagunça com o menor dano possível, permitam-me antecipar a conclusão.
É tarde demais para imaginar que um controle melhor dos futuros modelos de IA pelos Estados Unidos e pela China resolverá os desafios de hoje, causados pelos modelos perigosos que já estão por aí à solta.
Precisamos chegar imediatamente a um acordo sobre como vamos nos defender dessas ameaças que já existem e podem causar enormes danos em Washington e Pequim.
Para entender por quê, é preciso pensar nos quatro pilares fundamentais para compreender a IA.
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Pilar nº 1: a IA é o que venho chamando de primeira tecnologia de uso quádruplo do mundo. Talvez você já tenha ouvido falar em tecnologias de uso duplo. Antigamente, havia uma pessoa com uma furadeira que poderia usá-la tanto para construir a própria casa quanto para destruir a do vizinho. Isso é uso duplo.
Da mesma forma, hoje, se eu tivesse um robô de IA com uma furadeira, poderia pedir que construísse minha casa ou destruísse a do meu vizinho —o mesmo robô, a mesma furadeira, dois usos.
Mas agora temos um novo problema: esse robô pode decidir sozinho se vai melhorar ou destruir minha casa e fazer o mesmo com a casa do meu vizinho. Voilà: uso quádruplo. Esse é um problema dificílimo de administrar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.