A fenda circular de 300 metros no meio do oceano que esconde uma antiga caverna cheia de estalactites
O gigantesco sumidouro de Belize preserva formações calcárias criadas quando o nível do mar era muito mais baixo que o atual
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Cercado pelas águas azul-turquesa de Belize, o Great Blue Hole parece uma abertura quase perfeitamente circular no meio do mar. Com cerca de 300 metros de largura e mais de 120 metros de profundidade, o abismo guarda nas paredes estalactites formadas quando aquele trecho ainda era uma caverna seca acima do nível do oceano.
O local fica próximo ao centro do Lighthouse Reef, um atol situado ao largo da costa de Belize. Sua forma arredondada não foi criada por um impacto ou por uma explosão submarina. Trata-se de uma enorme formação cárstica desenvolvida em rocha calcária durante períodos em que o nível dos oceanos estava muito abaixo do atual.
A água da chuva e águas subterrâneas dissolveram lentamente o calcário e produziram cavernas, passagens e grandes espaços internos. Com o avanço e o recuo do nível do mar ao longo das glaciações, partes desse sistema foram modificadas e inundadas, dando origem ao gigantesco sumidouro marinho observado atualmente.
Uma das evidências mais importantes de que o local já foi uma caverna seca está nas formações calcárias encontradas em seu interior. Estalactites precisam de condições aéreas para crescer, pois surgem a partir da lenta precipitação de minerais transportados por gotas de água no teto de cavernas.
O vídeo do Jonathan Bird’s Blue World acompanha uma exploração diretamente dentro do Great Blue Hole e mostra suas paredes, profundidade e formações submersas. O registro permite visualizar as estruturas geológicas que permanecem escondidas sob a superfície.
Essas estruturas não nasceram dentro da água do mar. Elas se formaram quando o teto e as paredes da antiga caverna estavam expostos ao ar. Estudos de estalactites recuperadas no local registraram diferentes fases de formação durante períodos glaciais, quando o nível global dos oceanos estava dezenas de metros abaixo do atual.
À medida que as geleiras derreteram e o nível do mar aumentou, a antiga formação calcária foi inundada. As estalactites permaneceram onde estavam, funcionando hoje como registros naturais de condições ambientais muito anteriores à paisagem marinha atual.
A formação é associada à dissolução cárstica do calcário e ao colapso de partes da antiga cavidade, mas a história geológica não aconteceu em um único evento repentino. Estudos indicam uma evolução longa, com mudanças no nível do mar, dissolução da rocha, formação de cavernas e instabilidade estrutural ao longo do Pleistoceno.
Por isso, dizer apenas que “o teto caiu quando o mar subiu” é uma versão simplificada. A elevação do nível oceânico inundou a estrutura, enquanto a geometria atual resulta de uma combinação de processos de dissolução e colapso ocorridos em diferentes etapas.
A diferença de cor acontece principalmente devido à profundidade. As águas rasas ao redor do Lighthouse Reef refletem tons claros e turquesa porque o fundo está relativamente próximo e recebe bastante luz solar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.