'Kimi K3, nova IA chinesa, dá carteirada ao mundo', diz Diogo Cortiz
(Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre tecnologia no podcast Deu Tilt . O programa vai ao ar às terças-feiras no YouTube do UOL , no Spotify , no Deezer e no Apple Podcasts . Nesta semana: IA do Google para robôs ; China tem um problema ; Kimi K3 ; A IA do Itaú ; Golpes no Brasil )
O Kimi K3, modelo de inteligência artificial da chinesa Moonshot, entrou na disputa de "modelo de fronteira" ao se aproximar do sistema mais avançado da Anthropic e ao prometer acesso aberto e custos menores.
No novo episódio de Deu Tilt , o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam por que o avanço chinês virou tema de segurança nacional e acendeu alertas nos EUA.
Tem hype e tem não hype também. De fato, o Kimi K3 é um modelo super avançado e traz uma eficiência no seu uso. Ele se igualou muito ao modelo de fronteira da Anthropic -um modelo tão avançado que o governo dos Estados Unidos proibiu o acesso a qualquer estrangeiro. Isso trouxe questões: essa IA é tão poderosa assim? A gente está na mão dos Estados Unidos? O Kimi vem nessa fronteira mostrando: "Cheguei". E não é só fazer algo parecido, mas com otimização maior, porque entra custo. Para diferentes tarefas, o Kimi pode ser até 70% mais barato. Diogo Cortiz
A dificuldade de separar quem é estrangeiro para cumprir a decisão norte-americana de restringir o acesso à IA levou a Anthropic a barrar todo mundo de ter contato com o modelo, o que ampliou o debate sobre dependência tecnológica.
Segundo ele, o Kimi K3 ganhou atenção por "liberar para todo mundo" e de forma aberta um modelo parecido. Para o pesquisador, isso funciona como uma "carteirada" da China ao mercado global.
Os Estados Unidos estão falando que têm um modelo avançado e não vão liberar para ninguém. Então, eu [China] tenho um modelo parecido e eu estou liberando para todo mundo, inclusive de forma aberta. Isso mostra não só o poder tecnológico da China, mas traz toda uma discussão de caráter geopolítico. Diogo Cortiz
Apesar do barulho, o Kimi K3 não é necessariamente melhor em tudo, diz Cortiz. Ele relata que, em alguns testes, o modelo chinês supera o rival, mas na maioria fica próximo e "um pouquinho abaixo".
O avanço, porém, já provoca reação em Washington. A Casa Branca se movimentou e busca formas legais para proibir o uso do Kimi dentro dos EUA, em meio à constatação do Congresso norte-americano da disseminação da IA chinesa entre startups do país.
Um relatório do próprio Congresso analisou o avanço da China em IA, principalmente em modelos de código aberto. Eles identificaram que 80% das startups americanas usam, em algum momento, modelos chineses. Diogo Cortiz
Outro ponto de tensão é a acusação, sem provas, de que o Kimi roubou capacidades técnicas da Anthropic por destilação -técnica de extrair comportamento de um modelo ao interagir com ele.
A China usou a Waic (conferência mundial de inteligência artificial) para mostrar sua força na tecnologia e defender uma governança global de IA.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.