A Ferrari tinha ritmo para vencer as duas últimas corridas da F1 e bobeou?
Charles Leclerc não gostou nada quando ouviu que Isack Hadjar tinha afirmado que a Ferrari tinha o carro mais rápido em Singapura e, se Max Verstappen estivesse em um dos carros da Scuderia, eles teriam feito a pole position, "e vencido com mais margem" do que o holandês conseguiu a bordo da Red Bull.
Logo depois da corrida de Singapura, o próprio chefe ferrarista, Fred Vasseur, disse que não tinha certeza se a Red Bull tinha sido o melhor carro nas ruas de Marina Bay. E o francês teve um sentimento parecido ao sair com um segundo e terceiro lugares no GP dos Estados Unidos, no último domingo.
No começo da corrida, a meta do Charles era a primeira posição. E quando você chega em segundo, tendo o primeiro lugar como meta, você não está contente. Acho que estamos no caminho certo, mas é claro que há alguma frustração
Era difícil antecipar quem teria o melhor ritmo no GP dos Estados Unidos, e a corrida acabou deixando mais perguntas do que respostas, com Kimi Antonelli dominando com a estratégia de uma parada e o mesmo Verstappen segurando Leclerc na primeira parte da prova e impedindo que a Ferrari mostrasse o ritmo que ficou mais claro na segunda metade do GP.
Seria suficiente para disputar com Antonelli ou a tática de uma parada iria prevalecer de qualquer maneira? Impossível saber.
O fato é que a Ferrari está batendo na trave por três fatores. Um é a classificação. O carro tem uma janela de operação pequena, então uma mudança no vento ou temperatura (ou ambos, como aconteceu em Austin) afeta muito o nível de aderência que os pilotos sentem.
O segundo é operacional. O resultado de Singapura, por exemplo, não foi otimizado, em parte, por uma estratégia mal executada e por falhas de comunicação entre o pitwall e os pilotos.
E o terceiro - que só pode ser remediado ano que vem - é a deficiência de potência do motor a combustão ferrarista.
O mais complicado para a situação da Ferrari é o fato de um fator puxar o outro. Em Austin, por exemplo, pegando a corrida de Leclerc: ele se classificou em quarto porque o tempo virou no Q3 e o carro perdeu rendimento. Isso forçou a estratégia a ser mais ousada (largando com pneu macio e se comprometendo a fazer duas paradas). Essa tática significa pegar mais trânsito, e aí pesa a falta de velocidade de reta.
Da mesma forma, uma classificação sem surpresas negativas nos minutos finais tem o potencial de quebrar esse círculo vicioso.
Eles têm outra oportunidade de mudar essa sina neste fim de semana, no GP da Cidade do México. É uma pista em que a Ferrari tem um histórico recente positivo. Porém, o carro deste ano sofreu em algumas oportunidades quando esteve muito quente e, por conta da altitude, a refrigeração, mesmo que não seja esperado calor para a etapa mexicana, é fundamental para o desempenho do carro.
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