Após queda que matou 4, ANAC suspende empresas de voos panorâmicos no RJ
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu quatro das 12 empresas que fazem voos panorâmicos no Rio de Janeiro. A medida, anunciada hoje e confirmada pela agência ao UOL , ocorre após o acidente de 8 de agosto, na Vista Chinesa, que deixou quatro mortos.
Anac identificou irregularidades em metade das aeronaves fiscalizadas. Das 46 autorizadas a fazer passeios panorâmicos na cidade, 18 foram inspecionadas até agora e nove foram interditadas ou tiveram suas operações suspensas.
Quatro empresas foram suspensas pela Anac: VRP, Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly. A empresa responsável pelo voo do acidente do dia 8, que matou três turistas colombianas e o piloto, é a VRP.
Agência flagrou empresas que falsificavam relatórios de voo para reduzir custos de manutenção. Duas delas adulteravam os registros de horas de voo, por exemplo, declarando dez minutos de voo quando o passeio havia durado 30 minutos.
Prefeitura rescindiu os termos de compromisso de cinco empresas que usavam o heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas para pouso e decolagem. As empresas são: Be Faster Serviços Aéreos, Gabriel G. Aredes e Piloto Padrão Táxi Aéreo, Voos Rio Panorâmico, Nobre Turismo Aéreo e Infinity Serviços Aéreos Especializados.
Nenhuma delas tinha autorização municipal para comercializar voos panorâmicos a partir do local, apenas do uso do heliponto. Com a rescisão, estão proibidas de operar no equipamento desde o início desta semana. A única empresa com contrato de licitação vigente para comercializar voos panorâmicos a partir do heliponto da Prefeitura é a Helisul Táxi Aéreo.
Anac vai revisar o regulamento que trata de voos panorâmicos no país. A revisão do RBAC 136 prevê mudanças nos requisitos de segurança, qualificação de tripulações, manutenção e gestão operacional.
Prefeitura e Anac vão firmar acordo de cooperação para reforçar a fiscalização. O objetivo é que agentes municipais ajudem os fiscais da Anac, responsáveis por fiscalizar as empresas e as aeronaves.
Em coletiva no Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio, o diretor-presidente Tiago Chagas Faierstein classificou o número como "preocupante e altíssimo". "Estamos falando de 50% até hoje das atividades de voos panorâmicos no Rio de Janeiro com algum tipo de irregularidade".
Prefeito Eduardo Cavaliere disse que pediu à Anac atenção especial aos voos panorâmicos. "O Rio tem recebido cada vez mais turistas, e isso nos orgulha muito, mas também demanda novas preocupações e novas atenções para a cidade. O nosso papel é respeitar as autoridades e as medidas necessárias dentro da competência de cada um."
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