El Niño tem 90% de chance de ser o mais intenso nos próximos meses
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou na última sexta-feira (14/8) uma previsão da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) que indica 90% de chance de um El Niño muito intenso nos próximos meses de 2026 e no início de 2027.
Segundo as estimativas da NOAA, há uma probabilidade de 69% de que a intensidade do fenômeno seja a maior registrada desde 1950.
Isso pode ocorrer porque o cenário atual indica um forte aquecimento das águas do Oceano Pacífico, onde o El Niño se form a, que pode ser igual ou superior a 2,5 ºC nos trimestres setembro-outubro-novembro (SON), outubro-novembro-dezembro (OND) e novembro-dezembro-janeiro (NDJ).
O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical ficam mais quentes do que o normal por um longo período.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e afeta o comportamento do clima de diversas partes do planeta, inclusive o Brasil, com destaque para as regiões Sul, Norte e Nordeste.
De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) Marcus Polette, os eventos climáticos provocados pelo El Niño podem trazer riscos de inundações, deslizamentos e enxurradas em todas as zonas costeiras do Brasil.
“O El Niño modifica a circulação atmosférica e oceânica em escala global, alterando o regime de chuvas, as temperaturas e a frequência de eventos extremos.
Em um cenário de mudanças climáticas, esses efeitos tendem a ser potencializados, tornando as cidades e os ecossistemas costeiros ainda mais expostos a secas, enchentes, tempestades, ondas de calor, erosão costeira e outros impactos ambientais e socioeconômicos”, explica Polette, que é também professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).
Tabela divulgada pelo Inmet: probabilidade baseada nos limiares do índice relativo Ninõ 3.4 RONI – NOAA CPC- agosto de 2026 Entenda quando o El Niño começou O fenômeno teve início no mês de junho e as primeiras consequências já foram percebidas no Brasil, principalmente na Região Sul, onde ocorreu incidência entre 30 e 90% de chuvas acima da média para a época.
As ocorrências do El Niño devem durar até março do próximo ano, o que pode manter as chuvas acima da média no Sul do país e abaixo da média no Norte e Nordeste a partir de outubro.
O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), destaca que o Sul é uma das áreas que mais preocupam os cientistas por ter uma configuração favorável à ocorrência de chuvas intensas.
“O El Niño favorece uma configuração de bloqueio atmosférico.
Isso significa que as frentes frias, ao chegarem ao continente, encontram uma área de alta pressão que dificulta seu avanço.
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