Quem era Ratko Mladic, o "açougueiro da Bósnia"
Quem era Ratko Mladic, o "açougueiro da Bósnia" - Ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic foi sentenciado à prisão perpétua por genocídio e crimes contra a humanidade. Responsabilizado por massacres em Srebrenica e Sarajevo, ele ainda era, para muitos sérvios, inocente.A lista de acusações contra o general sérvio-bósnio Ratko Mladic, que morreu nesta quinta-feira (27/08), é longa. Inclui os crimes de genocídio, graves violações da Convenção de Direitos Humanos de Genebra e crimes contra a humanidade.
Entre abril de 1992 e julho de 1995, com seu exército sérvio-bósnio, ele atacou, saqueou e destruiu cidades e vilarejos inteiros na Bósnia-Herzegovina. Milhares de mortos, deslocamentos forçados e estupros da população não sérvia durante o conflito teriam a sua assinatura.
A Guerra da Bósnia deixou cerca de 100 mil mortos e provocou o deslocamento de 2,2 milhões de pessoas.
Mladic foi responsabilizado pelo cerco de três anos e pelo bombardeio de Sarajevo, durante o qual milhares de civis morreram por fogo de artilharia, morteiros, disparos de tanques de guerra e de franco-atiradores na capital bósnia.
Além disso, ele teria preparado e comandado o massacre de Srebrenica em julho de 1995, quando foram executados cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos bósnios que haviam buscado refúgio em uma área declarada protegida pelas Nações Unidas.
Ele respondeu a 11 processos por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Bósnia-Herzegovina de maio de 1992 até o fim de 1995 e foi considerado em 2017 culpado em dez deles. Em 2021, começou a cumprir prisão perpétua.
"Atirem somente em carne humana! Só em carne humana! Eles não têm nada, eles têm apenas algumas armas simples – só isso". Este foi um comando dado por Ratko Mladic aos seus soldados pelo rádio durante o ataque a Srebrenica, então uma zona protegida pela ONU.
Os soldados obedeceram: em poucos dias e diante dos olhos dos capacetes azuis das Nações Unidas, 30 mil bosniaks, como são conhecidos os muçulmanos bósnios, foram deslocados de suas casas. Os cerca de 8 mil homens e meninos foram executados e enterrados em valas comuns.
Foi o maior massacre na Europa depois da Segunda Guerra Mundial – tornando o processo contra Mladic no Tribunal Penal Internacional da ex-Iugoslávia (TPII), em 2017, um dos mais destacados de crimes de guerra desde os julgamentos de comandantes nazistas pelo Tribunal de Nurembergue.
No ápice da carreira militar, o general Ratko Mladic era um inflamado nacionalista. Ele mesmo se via como o vingador dos sérvios por séculos de dominação turca nos Bálcãs. A imprensa internacional o apelidou de "açougueiro da Bósnia".
Mas Mladic iniciou a trajetória profissional como um comunista convicto. Nascido em 1943 no leste da Bósnia, ele tinha dois anos quando seu pai, um dos partisans (guerrilheiros comunistas) do marechal iugoslavo Josip Broz Tito, foi morto pelas milícias fascistas croatas Ustase.
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