Escola de capoeira contemporânea leva tradição da Bahia para o mundo
Imagine um guarda-chuva.
No centro, uma haste sustenta toda a estrutura.
Ao redor, varetas se espalham em diferentes direções, mas todas cumprem uma função para que o objeto permaneça de pé.
Para Ricardo Carvalho, o Mestre Balão, idealizador do Centro de Treinamento e Estudos da Capoeiragem (CTE Capoeiragem), é assim que funciona a capoeira.No centro está a arte.
Ao redor, aparecem esporte, cultura, educação, antropologia, folclore, antirracismo e diversidade.
A alusão ajuda a explicar a proposta da escola, que, desde sua criação, busca trabalhar a capoeira para além dos movimentos executados dentro da roda.Fundado em 11 de maio de 2000, o CTE Capoeiragem nasceu em Salvador e construiu uma metodologia própria a partir da chamada capoeira contemporânea.
O trabalho, que começou na comunidade do Bate Facho, ganhou novos núcleos no Brasil e chegou a países como Suíça, Bélgica, Alemanha, Itália e mais recentemente, Suécia.A expansão ocorre em um momento em que a capoeira ganha ainda mais reconhecimento institucional.
Em julho, a Lei nº 15.469/2026 instituiu o Dia Nacional da Capoeira, celebrado em 15 de julho em todo o país.
A data remete ao registro da manifestação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial do Brasil, em 2008.O reconhecimento ajuda a dimensionar a importância de uma manifestação que deixou de estar restrita às ruas e rodas brasileiras e passou a ocupar espaços em diferentes partes do mundo.Entenda a capoeira contemporêneaTrabalhada pelo CTE, a capoeira contemporânea combina elementos de diferentes tradições.Regional: criada na Bahia por Mestre Bimba (1899-1974) para tirá-la da clandestinidade, traz uma forte dimensão técnica e marcial;Angola: preserva uma relação profunda com a musicalidade, a ritualidade e a ancestralidade, através da mistura de luta, dança e jogo.A abordagem contemporânea reúne elementos dessas vertentes dentro de uma metodologia própria.
O portal A TARDE visitou a matriz da CTE, no bairro Costa Azul, em Salvador, e conversou com Mestre Balão para entender a proposta.“É uma mistura muito grande, porque ela é híbrida.
É luta, esporte e cultura e a base instrumental é cultural”, explica o capoeirista.Essa combinação também ajuda a entender por que a escola não limita seus ensinamentos à execução dos golpes.
Para o CTE, aprender capoeira significa compreender corpo, história, o ambiente e o outro.
Mestre Balão, idealizador do CTE Capoeiragem - Foto: Ana Albuquerque / Ag.
A TARDE Da Bahia para o mundoA internacionalização da capoeira não aconteceu de uma hora para outra.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.