FMI alerta para ‘tsunami da inteligência artificial’ sobre 40% dos empregos no mundo
O avanço da inteligência artificial (IA) ameaça transformar o mercado de trabalho e ampliar as dificuldades de inserção profissional dos jovens, alertaram dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial nesta segunda-feira, 12.
Durante as reuniões anuais das duas instituições, em Bangkok, na Tailândia, os representantes defenderam medidas para preparar os trabalhadores para as mudanças tecnológicas e estimular as empresas a contratar, sobretudo quem está começando a carreira.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, comparou o impacto da inteligência artificial sobre o emprego a um “tsunami de movimento lento”.
Segundo ela, cerca de 40% dos postos de trabalho no mundo poderão ser afetados pela tecnologia, seja pela automação de tarefas, pela transformação das funções ou pela eliminação de vagas.
Continua após a publicidade Os trabalhadores mais jovens estão entre os grupos mais vulneráveis.
Tradicionalmente, recém-formados começam a carreira em atividades administrativas, repetitivas ou de menor complexidade, que permitem adquirir experiência antes de assumir responsabilidades maiores.
Continua após a publicidade Com a IA capaz de executar parte dessas tarefas, a porta de entrada para o mercado pode ficar mais estreita.
Georgieva afirmou que a preocupação não se limita à substituição direta de trabalhadores.
A redução das vagas iniciais também pode dificultar a formação profissional, comprometendo o desenvolvimento de habilidades necessárias para avançar na carreira.
Continua após a publicidade Jovens enfrentam uma porta de entrada mais estreita O presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, que copreside o Conselho de Empregos do Banco Mundial, defendeu que políticas adotadas em períodos de crise, como a pandemia de covid-19 e a crise financeira de 2008, passem a integrar permanentemente os instrumentos de estímulo ao emprego.
A proposta inclui incentivos para que empresas contratem recém-formados e medidas que aproximem a formação acadêmica das necessidades do setor produtivo.
Continua após a publicidade Segundo Tharman, o primeiro degrau da trajetória profissional, a conquista do primeiro emprego após a graduação, está enfrentando uma redução da demanda.
O dirigente citou sinais de enfraquecimento da procura por profissionais com diploma universitário nos Estados Unidos e a diminuição do prêmio salarial associado à formação superior.
Continua após a publicidade A avaliação é que, sem medidas de adaptação, uma geração pode perder oportunidades de adquirir experiência e desenvolver competências no início da vida profissional.
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