Grupo de dança de crianças africanas promete devolver criptomoedas recebidas por vídeo pró-Flávio Bolsonaro
O grupo Hypers Kids Africa, que reúne crianças e jovens de Uganda e tem 12,9 milhões de seguidores no Instagram, disse que vai devolver os 120 milhões de tokens $B22 recebidos por publicar um vídeo em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) . A decisão, segundo o grupo, vem após a reação negativa do público.
Em mensagem enviada à BBC News Brasil, o grupo avaliou que os tokens valem cerca de US$ 20 mil atualmente e que a expectativa era usar o investimento para terminar a construção da casa do grupo.
"Vamos devolver os tokens a eles, para pedir desculpas a todos, porque pensamos que os tokens serviriam para nos ajudar a construir e terminar nossa casa dos sonhos. Mas houve comentários políticos demais, e não queremos partidos políticos", diz a resposta.
"Estamos aqui para dançar e fazer as pessoas felizes, não para política. Não sabíamos que as pessoas não iam gostar."
"Não queremos que as pessoas reclamem sempre na nossa página, porque não sabíamos que não iam gostar", completaram. "Não podemos estar na política. Amamos muito o Brasil, de todo o coração."
O grupo não informou quando nem como os tokens serão devolvidos, quem negociou a parceria, quem aprovou o vídeo, nem se houve contato com campanhas ou partidos.
Flávio disputa o segundo turno da eleição presidencial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro.
A iniciativa Brasil 22 Token (B22) foi lançada na terça-feira (6/10), segundo o jornal Folha de S.Paulo. Ela foi promovida no Instagram pelo perfil @hyperskidsafrica, que tem 12,9 milhões de seguidores e aparece no site de criptomoedas como "parceira oficial".
O vídeo, que acumulava mais de 3,5 milhões de visualizações até o início da noite de quinta-feira (8/10), mostra crianças dançando com camisetas amarelas com uma música ao fundo que diz "vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro".
"Apoiamos a visão de @nikolasferreiradm, @flaviobolsonaro e @pablomarcal1", diz a legenda, marcando os perfis oficiais do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), de Flávio e do influenciador Pablo Marçal.
Em nota, a equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que vai entrar com medidas judiciais nas esferas eleitoral, cível e criminal para derrubar o site que oferece as criptomoedas.
A campanha afirma que desconhece a autoria do site, não tem relação com o seu conteúdo nem com a venda de criptomoedas.
A campanha disse ainda que não há perfis contratados para fazer propaganda, "seja de produto ou conteúdo", e que todas as páginas e canais oficiais foram informados ao TSE e seguem a legislação eleitoral.
A assessoria de Nikolas Ferreira afirmou desconhecer o Pablo Marçal foi procurado e não respondeu até a publicação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.