Grupo de dança de crianças africanas que recebeu por vídeo pró-Flávio Bolsonaro apaga material
Grupo Hypers Kids Africa promete devolver criptomoedas B22 após polêmica envolvendo apoio a Flávio Bolsonaro
A polêmica em torno da campanha de divulgação de criptomoedas envolvendo figuras públicas ganhou novo capítulo nesta semana. O grupo Hypers Kids Africa, que reúne crianças e adolescentes do Uganda e conta com expressiva base de seguidores em redes sociais, anunciou que fará devolução da remuneração recebida por publicar conteúdo de teor político. A movimentação ocorreu após reações negativas intensas do público às imagens divulgadas pela organização infantil.
A organização recebeu um total de 120 milhões de tokens da criptomoeda B22 em troca da produção de material que apoiava a candidatura de Flávio Bolsonaro no contexto eleitoral brasileiro. Conforme comunicado direto à BBC News Brasil, o grupo avalia que esses tokens possuem valor de aproximadamente 20 mil dólares no mercado atual. A intenção inicial era direcionar esses recursos financeiros para finalizar obras de construção de uma edificação de uso coletivo da organização, descrita pelos membros como a realização de um sonho de longa data.
O conteúdo publicado e a dimensão do alcance
O material audiovisual colocado em circulação nas plataformas de mídia social exibia crianças utilizando camisetas de cor amarela enquanto realizavam coreografias, acompanhadas de sonorização contendo uma frase de teor político. A música de fundo apresentava o refrão "vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro", referência direta ao número que representa o candidato na disputa. O alcance da publicação foi significativo, acumulando mais de 3 milhões e meio de visualizações somente até o final do dia 8 de outubro.
A legenda que acompanhava a postagem na rede social Instagram mencionava três perfis específicos: o do deputado federal Nikolas Ferreira, alinhado ao partido de Flávio; do próprio Flávio Bolsonaro; e do influenciador digital Pablo Marçal, funcionando como marcação direta desses perfis oficiais.
O posicionamento do grupo após as críticas
Em resposta às manifestações contrárias que emergiram das redes sociais, o Hypers Kids Africa elaborou comunicado expressando arrependimento. Segundo a organização, o grupo reconheceu que a iniciativa ultrapassou suas fronteiras de atuação e gerou incômodo entre seus seguidores. Na mensagem direcionada à BBC News Brasil, os representantes do grupo enfatizaram que sua proposta original não envolvia envolvimento com questões políticas partidárias.
O comunicado reforça que o objetivo central da organização concentra-se em atividades de entretenimento e produção de alegria para o público. Os membros afirmaram que desconheciam que o público teria reação negativa tão intensa. Também ressaltaram que a entrada em temas políticos contradiz seus valores e linhas de atuação. Na mensagem, mencionaram ainda que sentem grande apreço pela população brasileira, expressando isso de forma enfática.
A organização não especificou quando exatamente procederia à devolução dos tokens, nem apresentou detalhes operacionais sobre como essa devolução seria concretizada. Da mesma forma, não foram identificados os indivíduos responsáveis pela negociação original da parceria, nem se houve aprovação formal dessa cooperação antes da publicação do conteúdo. Tampouco foi esclarecido se houve contatos diretos com estruturas de campanhas políticas ou com partidos para viabilizar a ação.
Reações das campanhas e questionamentos legais
A campanha ligada a Flávio Bolsonaro respondeu a essas ocorrências por meio de sua equipe responsável por questões jurídicas. Segundo pronunciamento oficial, a campanha ingressará com ações legais em múltiplas esferas: na esfera eleitoral, na esfera cível e na esfera criminal. O objetivo dessas ações seria impedir a continuidade de operações do site responsável pela distribuição e comercialização da criptomoeda B22.
Simultaneamente, a campanha de Flávio apresentou negativa categórica de autoria ou envolvimento com a iniciativa. Conforme o comunicado, a campanha não mantém conhecimento sobre quem criou o site oferecedor das moedas virtuais e não possui qualquer relação com o seu conteúdo ou com a comercialização dos tokens. A campanha também sustentou que não contrata perfis ou contas em redes sociais para executar funções de propaganda, seja ela direcionada a produtos ou a conteúdos políticos. Segundo o comunicado, toda a estrutura de páginas e canais oficiais foi devidamente registrada junto à justiça eleitoral e funciona em conformidade com a legislação que governa processos eleitorais.
O deputado Nikolas Ferreira, que também aparecia mencionado no conteúdo divulgado, teve sua assessoria procurada para comentários. Conforme relato, a assessoria afirmou desconhecer as circunstâncias da situação. O influenciador Pablo Marçal, terceira personalidade marcada na publicação, foi contatado para esclarecimentos, mas não forneceu retorno até o momento de publicação dessa reportagem.
Contexto do lançamento e cenário eleitoral
A iniciativa Brasil 22 Token representou um lançamento recente no universo de criptomoedas, tendo sido apresentada ao público na data de 6 de outubro deste ano, conforme informações veiculadas pelo jornal Folha de S.Paulo. A moeda virtual foi promovida no ambiente do Instagram justamente pelo perfil correspondente ao grupo Hypers Kids Africa. Esse perfil aparece registrado nos sites especializados em criptomoedas como sendo uma parceria oficial no processo de divulgação da B22.
A eleição presidencial brasileira passa por sua fase final, com segundo turno marcado para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro disputa essa segunda fase contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representante do Partido dos Trabalhadores, em um confronto que condensará as principais polarizações políticas do país neste ciclo eleitoral.
O que acompanhar
A devolutiva dos tokens por parte do Hypers Kids Africa carece de confirmação prática, com muitas questões ainda abertas sobre como se concretizará essa retirada. As ações judiciais anunciadas pela campanha de Flávio Bolsonaro nas esferas eleitoral, cível e criminal também representam um ponto de acompanhamento relevante, determinando como as autoridades competentes reagirão à situação. Da mesma forma, permanece em aberto se novas informações emergirão sobre a estrutura por trás do site e da comercialização da criptomoeda B22, bem como possíveis ligações com outras entidades políticas ou influenciadores. Por fim, o desfecho do segundo turno eleitoral em 25 de outubro pode ser impactado pela repercussão dessa polêmica nas redes sociais e no debate público.
Principais pontos:
• O grupo Hypers Kids Africa recebeu 120 milhões de tokens B22 em troca de publicar vídeo com crianças apoiando Flávio Bolsonaro, acumulando mais de 3,5 milhões de visualizações antes de reações negativas.
• Após críticas intensas do público, o grupo anunciou que devolverá os tokens, afirmando que desconhecia que o conteúdo político geraria rejeição e que sua atuação destina-se apenas ao entretenimento.
• A campanha de Flávio Bolsonaro nega envolvimento com a iniciativa e informa que entrará com ações judiciais para derrubar o site de comercialização da criptomoeda.
• O segundo turno da eleição presidencial ocorre em 25 de outubro, com Flávio Bolsonaro disputando contra o presidente Lula, em contexto de polêmicas envolvendo campanhas e uso de influenciadores nas redes sociais.
Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de BBC News Brasil — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.