Sanches: Governo Trump vive disputa interna sobre o que pensar do Brasil
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O governo de Donald Trump vive uma disputa interna sobre qual deve ser a postura dos Estados Unidos em relação ao Brasil, afirmou Mariana Sanches no UOL News , do Canal UOL.
A colunista disse que o presidente americano recebe pressões de grupos com interesses diferentes, o que ajuda a explicar sinais ambíguos sobre a eleição brasileira e sobre a relação com o governo Lula.
A gente está vendo com muita clareza que tem uma disputa muito clara sobre o que pensar do Brasil nesse momento. O governo Donald Trump é um governo cindido em alas: alas mais ideológicas, mais identificadas com o movimento MAGA, que é mais bolsonarista, inclusive tem relações históricas.
E tem alas mais pragmáticas, alas que veem a necessidade, por exemplo, de manter uma zona de influência na região da América Latina como muito mais relevante do que ter necessariamente todos os aliados como gostaria o Marco Rubio.
Portanto, é preciso manter pontes com o Brasil para não permitir que o Brasil caia no colo da China, inclusive porque o Brasil tem reservas muito substantivas dos minerais críticos que os americanos tanto precisam. Mariana Sanches
Para Sanches, essa disputa aparece no noticiário quase em tempo real, com versões e sinais que mudam conforme o círculo mais próximo de Trump ganha espaço. Ela citou uma anedota corrente em Washington para descrever o vaivém.
A posição do presidente Trump sobre um assunto depende estritamente da última pessoa que conversou com ele sobre esse assunto. E a gente está vendo com muita clareza que tem uma disputa muito clara sobre o que pensar do Brasil nesse momento. Mariana Sanches
A colunista também afirmou que a direita no Brasil dá sinais de que tenta virar a página após a eleição, o que pode isolar a estratégia do grupo mais radicalizado. Ela citou manifestações de dirigentes partidários e aliados que se distanciaram do movimento.
"A direita parece muito próxima a virar a página. O Valdemar Costa Neto [presidente do PL] disse que não concorda com a carta divulgada por Flávio Bolsonaro. O presidente do PL, o próprio PL já reconheceu o resultado da eleição. Não parece haver ninguém embarcado no movimento que o Flávio Bolsonaro está fazendo. Mariana Sanches
Na avaliação da jornalista, a tensão entre uma ala mais ideológica e outra mais moderada marcou a campanha e reapareceu no pós-eleição, com uma guinada para a base mais radical. Ela disse que o grupo político que sustentou a candidatura não indicou disposição de bancar um governo a distância.
"O grupo político que alçou o Flávio Bolsonaro a candidato à Presidência e que ajudou que ele chegasse a 60 milhões de votos já disse que não está disposto a bancar essa aventura dele de governar o Brasil desde os Estados Unidos." Mariana Sanches
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