Irã ameaça países que apoiarem os EUA e executa homem acusado de colaborar com Washington e Israel
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaï, advertiu que qualquer país que participe da aplicação de restrições econômicas contra Teerã será considerado um "inimigo". Em entrevista à televisão estatal, ele pediu que governos ao redor do mundo não se unam ao que chamou de "guerra econômica" conduzida pelos Estados Unidos.
Segundo Rezaï, os países que se recusarem a se distanciar de Washington poderão se tornar alvos de represálias iranianas. O dirigente afirmou que, até o momento, Teerã limitou suas ações a alvos militares e não atingiu interesses econômicos americanos , mas ameaçou mudar de estratégia caso a pressão econômica seja ampliada.
"Até agora, não atacamos nenhum interesse econômico americano. Só atingimos bases militares. Mas, se quiserem nos impor sanções econômicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e outros interesses econômicos na região do Irã e em outras partes do mundo, e nós os atingiremos", declarou.
Rezaï também ameaçou que, se Donald Trump "tomar alguma medida" contra o Irã, o confronto entre os dois países será "como um terremoto".
As declarações foram feitas após Washington anunciar um reforço das sanções destinadas a aumentar a pressão sobre a República Islâmica. O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou, na quinta-feira (20), os Estados Unidos de praticarem "terrorismo econômico", depois que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, prometeu fazer "o regime iraniano desmoronar" com novas medidas restritivas. Bessent deve detalhar na segunda-feira (24) o plano americano para ampliar a pressão sobre Teerã.
Washington apelou a outros governos, especialmente a Pequim , para que participem dos esforços destinados a isolar a economia iraniana. Mas a China, parceira econômica estratégica do Irã, criticou essa iniciativa, considerando que as "sanções e a pressão" americanas não contribuem para resolver o conflito no Oriente Médio .
Entre os principais parceiros comerciais do Irã estão ainda os Emirados Árabes Unidos, que anunciaram na terça-feira (18) a suspensão, por tempo indeterminado, de todas as trocas comerciais e transações financeiras com o país.
Segundo o Judiciário, ele foi considerado culpado de colaboração com grupos hostis ao regime, incêndios criminosos, participação em atos violentos e crimes contra a segurança nacional. A sentença incluiu ainda a confiscação de seus bens.
As autoridades iranianas atribuem a onda de protestos e a violência registrada no país à atuação de grupos apoiados por Washington e Tel Aviv. Organizações de defesa dos direitos humanos, por sua vez, acusam as forças de segurança iranianas de terem reprimido os manifestantes com violência.
Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos afirmam que o número de execuções no Irã aumentou desde o início da guerra no Oriente Médio.
Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, e a organização Ensemble contre la peine de mort (ECPM, Juntos contra a pena de morte, em francês), sediada em Paris, ao menos 1.639 pessoas foram executadas no país no ano passado, o maior número registrado desde 1989.
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