As linhas misteriosas desenhadas no deserto que atravessam quilômetros e revelam seus desenhos apenas quando vistas do alto
Geóglifos gigantes do Peru atravessaram quase dois milênios e ainda desafiam arqueólogos a entender sua verdadeira função
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No sul do Peru, centenas de figuras gigantes permanecem gravadas em uma planície árida há quase dois milênios. As Linhas de Nazca incluem animais, plantas, formas geométricas e traços que percorrem grandes distâncias, mas a explicação popular de que seriam desenhos feitos para serem vistos exclusivamente do céu simplifica um mistério arqueológico muito mais interessante.
Os geóglifos ficam nas planícies de Nazca e Palpa, cerca de 400 quilômetros ao sul de Lima. Segundo a Unesco , a área reconhecida como Patrimônio Mundial cobre aproximadamente 450 quilômetros quadrados e reúne representações de seres vivos, plantas estilizadas, figuras imaginárias e enormes formas geométricas.
Os desenhos não formam uma única linha misteriosa de 50 quilômetros, como algumas versões virais sugerem. Existem numerosos traços, trapézios, espirais e figuras, enquanto algumas formas geométricas individuais atingem vários quilômetros de extensão. A enorme escala do conjunto é que produz a impressão de um desenho interminável sobre o deserto.
A técnica básica era surpreendentemente simples. Os construtores retiravam ou deslocavam as pedras mais escuras da superfície desértica, expondo o solo mais claro existente abaixo. Assim surgia um contraste suficientemente forte para formar desenhos que atravessaram séculos.
O documentário da PBS NOVA investiga quem produziu as figuras, como elas foram construídas e quais evidências arqueológicas ajudam a compreender suas possíveis funções, sem depender das explicações extraterrestres popularizadas posteriormente.
A Unesco situa a produção dos geóglifos aproximadamente entre 500 a.C. e 500 d.C. Isso significa que o conjunto não surgiu de uma única obra realizada de uma vez, mas de práticas desenvolvidas durante muitas gerações na costa meridional do atual Peru.
Pesquisas arqueológicas também relacionam diferentes geóglifos a períodos e tradições distintas, incluindo fases anteriores à própria cultura Nazca. Por isso, atribuir absolutamente todos os desenhos a uma única população, num único momento histórico, elimina parte importante da complexidade arqueológica do local.
Além disso, várias formas podem ser percebidas de elevações próximas, enquanto outras parecem ter sido concebidas para serem percorridas no próprio solo. Estudos arqueológicos discutem inclusive a possibilidade de algumas linhas terem funcionado como espaços de deslocamento ou procissões cerimoniais.
Essa continua sendo a questão mais difícil. Hipóteses antigas relacionaram linhas a observações astronômicas e calendários, mas não existe uma explicação única capaz de justificar todo o conjunto. Hoje, estudos consideram também funções cerimoniais, sociais e religiosas ligadas à paisagem.
Água e fertilidade aparecem com frequência nessas interpretações porque eram questões fundamentais em uma sociedade instalada num ambiente extremamente seco. Isso, porém, não significa que cada desenho fosse necessariamente um ritual para produzir chuva.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.