Em derrota para Trump, juiz nega bloqueio de 20 mil cédulas na Califórnia
Um juiz federal dos EUA rejeitou o pedido do governo de Donald Trump para impedir a Califórnia de contar mais de 20 mil cédulas enviadas pelo correio, atribuídas a supostos não cidadãos, informou a Reuters.
O juiz David Carter decidiu ontem que o pedido do Departamento de Justiça foi apresentado seis dias antes das eleições legislativas, marcadas para o próximo dia 3. Ele afirmou que a medida contrariava princípios constitucionais que dão aos Estados o controle sobre suas eleições.
O juiz afirmou que o pedido de última hora do Departamento de Justiça para excluir mais de 20 mil votos contrariava 'princípios constitucionais de longa data, que estabelecem que os estados detêm o controle sobre suas próprias eleições'. Carter alertou que uma decisão favorável à administração Trump "causaria um caos" e levaria milhares de eleitores registrados a "potencialmente perder um direito que gerações de americanos lutaram para preservar".
A erosão da confiança em nossa democracia é irreparável. Uma vez que um voto é separado [do restante], um dano duradouro já se concretizou. Se o Poder Executivo pode desconsiderar votos e ameaçar uma eleição em curso com base em alegações não comprovadas, então nossa democracia está em perigo Juiz David Carter
Carter criticou a tentativa de interferir nos procedimentos eleitorais estaduais às vésperas da votação. "Nunca antes na história americana o governo federal, na véspera de uma eleição, buscou coagir um governo estadual e local a abandonar seus próprios procedimentos eleitorais constitucionais", escreveu.
O Departamento de Justiça recorreu imediatamente ao Tribunal de Apelações do 9º Circuito dos EUA. A ação havia sido apresentada em 15 de outubro, semanas antes da eleição que definirá o controle do Congresso e representantes estaduais e locais.
O governo Trump emitiu mais de 100 intimações para obter registros de dezenas de milhares de eleitores em ao menos 13 estados. Especialistas ouvidos pela agência afirmam que os documentos poderiam servir para contestar resultados apertados, embora haja poucas evidências de votação disseminada por não cidadãos.
A Califórnia afirma que mantém mecanismos rigorosos para impedir o voto de não cidadãos. O estado disse que as alegações do Departamento de Justiça se baseiam em dados "questionáveis" e que atender às suas exigências criaria o risco de privar eleitores elegíveis de seu direito ao voto.
A Califórnia é o estado mais populoso dos EUA e um reduto do Partido Democrata. Ela possui 52 assentos na Câmara dos Representantes, mais do que qualquer outro estado.
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