As frentes em que governo Delcy e oposição da Venezuela vão unir forças após início de diálogo
Após as primeiras negociações em prol de uma suposta “transição democrática”, planejada sobretudo pelos Estados Unidos , o governo interino da Venezuela e a oposição anunciaram, na noite de quarta-feira 12, que concordaram se unir em ao menos duas frentes, incluindo os esforços para recuperar as reservas de ouro do país bloqueadas na Inglaterra e para avançar com uma reforma do sistema judicial.
As partes concluíram a primeira rodada de tratativas iniciadas em 6 de agosto , sete meses após a derrubada e captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana.
Sob a pressão do governo Donald Trump , a presidente interina, Delcy Rodríguez (que era vice do autocrata), celebrou o diálogo, que continuará em uma data ainda a ser definida.
“Peço a todas as forças políticas que se unam a este diálogo, colocando sempre em primeiro lugar o bem-estar, a paz, a estabilidade e o desenvolvimento da Venezuela”, disse em uma mensagem no aplicativo de mensagens Telegram.
As delegações foram lideradas por Jorge Rodríguez , presidente do Parlamento e irmão de Delcy, bem como por Dinorah Figuera , líder da bancada de oposição que conquistou a maioria na Assembleia Nacional em 2015.
Deixada de fora do diálogo, notadamente, estava a líder opositora e prêmio Nobel da Paz , María Corina Machado , hoje exilada no Panamá.
Ela garantiu, porém, que não será contrária ao processo.
Continua após a publicidade Acordos As partes chegaram a um acordo sobre a transformação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e um novo mecanismo de indicação e nomeação de magistrados, segundo uma declaração conjunta lida por Dinorah A oposição insiste em uma reforma do TSJ, que em 2024 validou a reeleição fraudulenta de Maduro.
A mudança na corte é considerada determinante para que sejam convocadas eleições no futuro.
Continua após a publicidade Jorge Rodríguez, por sua vez, afirmou que “as partes unirão esforços para promover a recuperação dos ativos das reservas internacionais da Venezuela no Banco da Inglaterra”.
Desde 2019, a oposição iniciou um processo para impedir que o governo deposto tivesse acesso a estes fundos.
Há algumas semanas, Delcy já havia pedido ao rei Charles III , por meio de uma carta, a liberação do ouro das reservas internacionais depositado no Banco da Inglaterra para a resposta de emergência ao duplo terremoto que atingiu o país em 24 de junho e deixou mais de 6.300 mortos.
Continua após a publicidade Os lingotes de ouro depositados por Caracas na instituição financeira são avaliados em US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 9,85 bilhões, na cotação atual), dos quais não pode dispor por decisão do Reino Unido — que também não reconheceu a reeleição de Maduro.
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