Tesouro revisa plano para a dívida pública e espera que títulos atrelados à Selic subam mais
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
O Tesouro Nacional revisou nesta quarta-feira (26) seu plano para a gestão da dívida pública e indicou esperar que os títulos atrelados à taxa Selic subam ainda mais nos próximos meses, com possibilidade de ultrapassarem a máxima histórica na série iniciada em dezembro de 2000.
A expectativa do órgão é que esses papéis respondam por uma fatia de 49% a 53% da DPF (dívida pública federal) ao fim deste ano. Antes, o intervalo previsto era de 46% a 50%.
Ao fim de julho, a modalidade já respondia por 51,1% da DPF. O patamar é o maior desde agosto de 2003 e se aproxima do recorde de 52,06% observado em abril daquele mesmo ano. O novo intervalo indica que esse valor pode ser superado.
Como mostrou a Folha , o aumento das incertezas sobre a trajetória das contas públicas brasileiras e sobre o cenário internacional está por trás da necessidade do Tesouro de emitir mais títulos da dívida atrelados à Selic durante o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A fatia desses papéis registrada em julho representa um aumento de 12,86 pontos percentuais apenas neste mandato, uma vez que as chamadas LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) respondiam por 38,25% da dívida federal em dezembro de 2022.
As LFTs são consideradas o porto seguro da dívida brasileira sob a ótica dos investidores. Elas oferecem menos risco do que os prefixados (cuja remuneração é conhecida no momento da compra) ou os vinculados à inflação (que também têm uma taxa fixa, mas são corrigidos conforme o IPCA), que podem sofrer perdas quando a taxa de juros da economia sobe.
Para o Tesouro, as LFTs são um instrumento importante para garantir o financiamento do país em momentos de turbulência nos mercados, quando o apetite pelos demais títulos costuma ser menor e a emissão fica mais cara.
No entanto, a maior exposição à Selic aumenta o risco para a dívida pública, pois o custo de financiamento do governo fica sujeito às oscilações dos juros definidos pelo Banco Central. Basta um choque de juros para que o serviço da dívida fique automaticamente mais caro.
Para economistas e integrantes do próprio governo, a maior concentração da dívida federal nesses papéis é mais um sintoma do que uma estratégia deliberada.
Diante das incertezas e desconfianças, os investidores reduzem a procura por papéis prefixados (com custo mais previsível para o Tesouro, mas maior risco para quem aplica) ou vinculados à inflação (cujos juros reais alcançaram 8% em alguns prazos , um patamar elevado).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.