Infraestrutura da inteligência artificial: energia é a nova fronteira da inovação
Data centers | Foto: Canva *Por Franklin Lacerda, economista e CEO da Análise Econômica A próxima grande disputa tecnológica talvez não seja decidida apenas por quem desenvolver o melhor modelo de inteligência artificial.
A infraestrutura da inteligência artificial está transformando uma tecnologia aparentemente digital em uma corrida por ativos bastante físicos: chips, data centers, redes de transmissão e, sobretudo, energia.
Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo de eletricidade dos data centers no mundo deve mais que dobrar até 2030 , chegando a aproximadamente 945 TWh — ligeiramente acima de toda a eletricidade consumida atualmente pelo Japão.
A infraestrutura da inteligência artificial ajuda a explicar por que empresas de tecnologia começaram a negociar diretamente com geradoras, investir em novas fontes e até apoiar projetos nucleares.
O algoritmo pode estar na nuvem, mas a nuvem precisa estar conectada à tomada.
Para entender a dimensão dessa transformação, vale consultar o relatório Energy and AI , da Agência Internacional de Energia.
Da corrida por algoritmos à corrida por capacidade A infraestrutura da inteligência artificial também está criando um ciclo de investimento de dimensões incomuns.
A PwC estima que os data centers poderão exigir US$31,6 trilhões em investimentos acumulados até 2050 , com os gastos anuais avançando de aproximadamente US$800 bilhões em 2026 para US$1,1 trilhão em 2030 e US$1,8 trilhão em 2050.
Diferentemente de uma ferrovia ou rodovia, porém, boa parte desse capital não termina quando a instalação fica pronta: GPUs, servidores e outros equipamentos precisam ser substituídos em ciclos relativamente curtos.
O BIS estimou que apenas a s cinco maiores empresas globais de tecnologia deverão gastar mais de US$1 trilhão em investimentos relacionados à IA entre 2025 e 2026 .
Isso significa que a infraestrutura da inteligência artificial começa a adquirir dimensão macroeconômica.
Não estamos falando apenas de um novo software, mas de uma nova fronteira de formação de capital capaz de movimentar construção, energia, semicondutores, crédito e cadeias produtivas globais.
Energia, chips e redes: os novos fatores de localização Essa mudança também ajuda a compreender a nova geografia da inovação .
Se a infraestrutura da inteligência artificial exige capacidade computacional em grande escala, nem todos os lugares conseguem oferecê-la.
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