Verde vê exterior “mais inóspito” e alerta para “rachaduras” no risco global
Os juros longos americanos sobem desde março sem abalar os grandes índices de ações, mas a Verde Asset Management já vê sinais de desgaste no mercado global.
A avaliação está na carta mensal mais recente da gestora de Luis Stuhlberger, que descreve um cenário externo mais “inóspito”.
“Começamos a ver algumas rachaduras na fachada do complexo de risco global.
A principal dúvida hoje é qual o nível de taxa que provocará uma maior aversão ao risco”, escreve a casa.
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A taxa do título americano de dez anos acumula alta de 130 pontos-base desde março, sendo 54 pontos apenas em setembro, avanço que a Verde considera bastante significativo o “preço mais importante do mundo”.
O movimento se repete em todos os mercados desenvolvidos e começa a reverberar sobre os demais ativos.
Segundo a gestora, o que tem segurado as bolsas até aqui é o crescimento de lucros ainda muito robusto.
A pressão não arrefeceu em outubro.
Nesta semana, o rendimento do Treasury de dez anos voltou a superar 5,2%, e o título de 30 anos passou de 5,6%, maior nível desde 2002.
A ata da última reunião do Fed indicou que os dirigentes esperam promover nova alta antes do fim do ano, e a próxima decisão está marcada para 28 de outubro.
A Verde aponta quatro explicações para a escalada das taxas longas, cada uma com sua parcela de responsabilidade.
A primeira é a alta do petróleo e derivados com os conflitos entre EUA e Irã e entre Ucrânia e Rússia, seguida do populismo fiscal generalizado nas economias desenvolvidas.
A terceira é a política monetária mais apertada, com o Federal Reserve elevando os juros em 0,25 ponto em setembro e adotando discurso duro sobre o ciclo de aperto, enquanto a quarta é a demanda sem precedentes por capital para financiar os investimentos em inteligência artificial.
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