Pressão dos EUA leva bancos de desenvolvimento a abandonar metas de financiamento climático
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
O acordo da ONU para disponibilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático está ameaçado, já que se espera que instituições multilaterais de crédito sigam o Banco Mundial e abandonem metas verdes após intensa pressão dos EUA.
Pelo menos dois bancos multilaterais de desenvolvimento —o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Asiático de Desenvolvimento— discutiam a possibilidade de eliminar metas de financiamento climático, segundo pessoas a par das conversas.
A medida ocorre depois que o Banco Mundial afirmou, em junho, que "aposentaria" a meta de destinar 45% de seu financiamento a projetos que proporcionassem "cobenefícios" climáticos.
Um especialista sênior em financiamento ao desenvolvimento afirmou: "Os bancos multilaterais de desenvolvimento estão se curvando às pressões dos EUA. Isso terá consequências enormes".
Países como Reino Unido e Alemanha, sob crescente pressão orçamentária e política, também devem reduzir o financiamento climático internacional, oferecido para ajudar nações em desenvolvimento a afastar suas economias dos combustíveis fósseis ou a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Sob o governo do presidente Donald Trump, que classificou as mudanças climáticas como uma "farsa", os EUA têm pressionado bancos multilaterais de desenvolvimento e países a reduzir gradualmente o financiamento verde. Também têm defendido o recuo nas restrições ao financiamento de combustíveis fósseis , segundo um funcionário de um banco de desenvolvimento.
Duas pessoas a par das conversas disseram que o BID, principal fonte de financiamento multilateral da América Latina e do Caribe, vinha sofrendo "pressão real" para abandonar sua meta de destinar 45% dos financiamentos ao clima.
Em 2025, o BID aumentou o financiamento climático em 46% em relação ao ano anterior, para US$ 9,95 bilhões.
O BAD, com sede em Manila, também avaliava se abandonaria sua meta, segundo outras duas pessoas, embora tivesse recebido menos exigências diretas dos EUA.
No ano passado, o BAD comprometeu US$ 13,5 bilhões de recursos próprios com financiamento climático, pouco mais da metade do total de financiamentos assumidos no ano.
"Todos os bancos multilaterais de desenvolvimento com grande participação acionária dos EUA provavelmente abandonarão as metas", afirmou uma autoridade da área de financiamento ao desenvolvimento.
O BID disse que o financiamento climático tem sido "uma ferramenta importante para acompanhar os esforços e o nível de ambição, mas os volumes de financiamento, por si só, não refletem plenamente os resultados". O que "realmente importa" é se os investimentos tornam as comunidades mais resilientes, evitam emissões e promovem o desenvolvimento, entre outros indicadores, acrescentou.
"Por esse motivo, estamos estudando como dar maior ênfase a indicadores que meçam impacto e resultados", afirmou o grupo. Isso "não representa uma mudança em nosso compromisso com a ação climática, nossas políticas ou nossas prioridades operacionais".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.