Meta divulgou no Brasil anúncios políticos pagos dos EUA para influenciar eleições, aponta pesquisa
A Meta , dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, veiculou ao menos 1.613 anúncios políticos irregulares no Brasil entre julho e setembro de 2026, pagos no exterior e em desacordo com a legislação eleitoral brasileira.
Desse total, 1.076 anúncios informam a localização da fonte pagadora, sendo 98% oriundas dos Estados Unidos .
LEIA TAMBÉM: Meta admite falha nas métricas do Instagram que prejudicaram Lula e deram vantagem a Flávio Os dados constam no novo levantamento do NetLab UFRJ, “ Meta lucra com anúncios irregulares promovidos por redes coordenadas para influenciar as eleições no Brasil” , produzido pelo Observatório das Big Tech, iniciativa que monitora o cumprimento de obrigações eleitorais pelas grandes plataformas digitais.
As peças publicitárias acumularam 171,1 milhões de impressões , mencionaram 70 candidatos e renderam à empresa cerca de R$ 2 milhões , valor que a plataforma só deixou de arrecadar depois que os anúncios já haviam circulado amplamente.
LEIA TAMBÉM: Mensagens internas da Meta revelam restrições a Lula e recomendação irregular de Flávio Bolsonaro Além dos Estados Unidos, também foram identificadas páginas associadas à Itália , ao México , a Bangladesh e à Colômbia .
As peças promoviam ou atacavam candidatos brasileiros, muitas vezes de forma contraditória, o que, segundo o NetLab, dificultou a compreensão dos objetivos e das estratégias políticas por trás dessas campanhas.
O relatório ressalta ainda que os números apurados representam apenas os casos acessíveis a partir das informações disponibilizadas pela própria plataforma, o que significa que o volume real de anúncios irregulares e a receita correspondente podem ser ainda maiores .
Violações da legislação eleitoral e falhas da Meta A legislação eleitoral brasileira é clara: o impulsionamento de propaganda política só pode ser contratado por candidatos, partidos, federações ou coligações; deve ser identificado como propaganda eleitoral; e precisa informar o CPF ou CNPJ do responsável.
Recursos de origem estrangeira são vedados, inclusive quando utilizados para o pagamento de anúncios.
Portanto, os 1.613 anúncios identificados pelo NetLab UFRJ violaram essas regras de múltiplas formas.
Segundo o relatório, a plataforma autorizou a circulação de todos os anúncios sem identificá-los previamente como conteúdo político e apenas recategorizou ou retirou muitos deles depois que já haviam alcançado amplo público e gerado receita para a empresa.
“É escandaloso que a Meta ganhe R$ 2 milhões veiculando anúncio absolutamente ilegal durante as eleições brasileiras”, afirmou Marie Santini, diretora do NetLab UFRJ, apontando o que o laboratório classifica como falhas sistêmicas nos mecanismos de fiscalização e governança da publicidade da plataforma.
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