Lula decide manter apoio a Bachelet na corrida pelo comando da ONU
A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, foi recebida ontem pelo presidente Lula no Palácio do Planalto, num encontro no qual foi avaliada a corrida pela sucessão no comando das Nações Unidas. Segundo a coluna apurou, apesar de Bachelet não ter ido bem nas duas primeiras rodadas de votações, Lula manteve o respaldo à ex-presidente do Chile e chegou-se à conclusão de que ainda é cedo para avaliar uma eventual desistência.
Também ficou claro no encontro, comentaram fontes oficiais, que Bachelet tem um enorme obstáculo em sua campanha: o veto dos Estados Unidos de Donald Trump. A resistência da Casa Branca ao nome de Bachelet era esperada, por seu perfil progressista e alinhando com agendas que estão na contramão do governo americano, entre elas a dos direitos das mulheres e questões de gênero.
Mas a avaliação do governo brasileiro é de que apenas duas rodadas de votação é pouco para desistir. Na escolha do atual secretário-geral da ONU, o português Antonio Guterres, foram necessárias seis rodadas para uma definição.
Outro elemento importante da avaliação foi o de que todos os candidatos atualmente na corrida são vetados por um ou mais países que integram o Conselho de Segurança da organização, onde é realizada a votação mais importante. Uma vez que surge um nome de consenso no conselho, esse nome é levado à Assembleia Geral, para sua ratificação.
O argentino Rafael Grossi, candidato de seu país e que poderia contar com o apoio dos EUA, não tem ido bem nas votações, mas teria, segundo informações publicadas pelo jornal La Nación, pelo menos sete votos garantidos. Grossi, que comanda desde 2019 a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, com sede em Viena, ainda é visto como competitivo, embora seja conhecida a resistência a ele por parte de países fundamentais na eleição, como a Rússia.
Outros nomes que ainda são vistos como competitivos são os da ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett e da ex-vice-presidente da Costa Rica Rececca Grynspan. Na segunda e última rodada de votação, em 21 de agosto, Rodrigues-Birkett teria sido a mais votada, superando Grynspan. Mas nenhuma das duas obteve os votos suficientes para definirem a eleição.
Jä Bachelet, confirmaram fontes do governo Lula, ficou muito atrás das outras duas mulheres que, no atual momento, são favoritas na disputa. A ex-presidente do Chile também conta com o apoio do México, país que visitou antes de passar por Brasília.
O processo de escolha de um novo secretário-geral é complexo e repleto de variáveis. Os membros permanentes do conselho, grupo conhecido como P5 (EUA, Rússia, China, Grã Bretanha e França), exerce uma influência decisiva. Na votação, os 15 membros do Conselho atribuem anonimamente a cada candidato uma classificação usando cédulas da mesma cor que podem indicar "apoio", "não apoio" ou "sem opinião ".
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