Influenciador é condenado por difamar ex com perfis falsos em SP
O influenciador Victor Oliveira foi condenado pela Justiça de São Paulo por usar contas falsas no Grindr e no Instagram para espalhar acusações contra o ex-namorado, o advogado Jonathan.
Victor recebeu pena de dez meses e 15 dias de detenção por três crimes de difamação. A sentença, proferida na terça-feira (11), substituiu a prisão por prestação de serviços à comunidade e determinou o pagamento de 35 dias-multa.
A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada. Victor respondeu ao processo em liberdade e continuará solto enquanto não houver motivo para a decretação de prisão preventiva.
Os episódios ocorreram em outubro e novembro de 2023, cerca de um ano após o fim do relacionamento. Victor e o advogado Jonathan Palhares namoraram durante dez meses, de acordo com o depoimento prestado pela vítima.
Victor reúne 352 mil seguidores no Instagram. No perfil, o influenciador publica conteúdos de humor, cultura pop, gastronomia e cotidiano.
Uma conta no Grindr enviou a usuários uma foto de Jonathan acompanhada da acusação de que ele aplicava golpes. A mensagem dizia para as pessoas terem "cuidado com esse cara aqui da região que está aplicando golpe em geral no Grindr".
Um perfil falso no Instagram também procurou uma pessoa que havia se relacionado com Jonathan. A conta, identificada por uma sequência de letras, afirmou que o advogado falava mal do ex para outras pessoas.
Outro ex-namorado recebeu uma mensagem anônima pelo Grindr em 7 de novembro de 2023. O texto afirmava que Jonathan o chamava de abusivo e dizia que ele havia pegado dinheiro emprestado e não devolvido.
As três pessoas procuradas pelos perfis encaminharam as mensagens a Jonathan. Ele registrou boletins de ocorrência e recorreu à Justiça para identificar o responsável pelas contas.
A quebra de sigilo de dados do Grindr e da Meta vinculou os perfis a Victor. As informações foram obtidas em uma ação cível e relacionaram os acessos ao endereço IP e a dispositivos do influenciador, segundo a sentença.
Os registros também indicaram que as mensagens foram enviadas perto da residência de Victor. Ele e Jonathan moravam na região de Santa Cecília, no centro de São Paulo.
Victor admitiu ser dono das contas e ter enviado mensagens às três testemunhas. Em interrogatório, porém, disse que não reconhecia todo o conteúdo atribuído a ele e negou ter agido com a intenção de ofender o ex.
No processo, a defesa de Victor pediu a anulação das provas digitais por suposta quebra da cadeia de custódia. Os advogados também sustentaram, durante a ação, que as mensagens foram desabafos relacionados a um relacionamento que o influenciador classificou como tóxico e abusivo.
A juíza Fabíola Oliveira Silva rejeitou os argumentos. Para a magistrada, não havia indício de adulteração das provas e as mensagens demonstraram a intenção deliberada de atingir a reputação de Jonathan.
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