Clubes paulistas podem perder até R$ 1 bilhão com restrições a patrocínios de bets
O futebol paulista pode enfrentar uma nova pressão financeira caso avancem projetos que restringem a publicidade de empresas de apostas esportivas na cidade de São Paulo.
Segundo estimativas do setor, os clubes paulistas correm o risco de perder até 1 bilhão de reais em receitas, diante da importância que os patrocínios de bets passaram a ter para o esporte nos últimos anos.
As propostas em discussão na Câmara Municipal de São Paulo estabelecem restrições à publicidade de empresas de apostas, incluindo limitações para anúncios em camisas e para a exposição das marcas no entorno dos estádios.
A possível mudança preocupa clubes que já possuem contratos firmados com empresas do setor e que dependem dessas receitas para o planejamento financeiro das temporadas.
Continua após a publicidade O impacto tende a ser especialmente relevante para as maiores equipes da capital.
Estimativas de especialistas apontam que Corinthians, Palmeiras e São Paulo podem deixar de receber, juntos, cerca de 350 milhões de reais por ano caso as restrições inviabilizem ou reduzam significativamente os atuais contratos de patrocínio.
Para Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças esportivas, o tamanho do impacto dependerá principalmente do prazo estabelecido para adaptação às novas regras.
“Essa perda será especialmente maior se não for previsto na lei um período de transição, ou ele for muito curto para encontrar outro patrocinador e com o mesmo nível de valores negociados pelos patrocínios”, afirma.
Continua após a publicidade O problema não se limita aos clubes.
O mercado de apostas se tornou nos últimos anos uma das principais categorias de anunciantes do futebol brasileiro, movimentando contratos que envolvem clubes, federações, estádios, veículos de comunicação, agências e fornecedores.
Para Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, uma eventual restrição precisa considerar os contratos que já estão em vigor e o planejamento comercial das organizações esportivas.
“Estamos falando de clubes, federações, confederações, estádios e demais espaços ligados ao futebol, que já trabalham com contratos de patrocínio de médio e longo prazo.
O mercado de apostas se tornou uma fonte relevante de receita para o futebol”, afirma.
Além do impacto financeiro, especialistas avaliam que a discussão pode produzir um efeito contrário ao pretendido caso reduza a exposição das empresas autorizadas a operar no país sem ampliar a fiscalização sobre plataformas ilegais.
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