Pacto secreto entre Trump e Bukele fez migrantes desaparecerem em prisão de segurança máxima
Há um ano e meio, os Estados Unidos expulsaram para El Salvador mais de 200 venezuelanos e cerca de 30 salvadorenhos, no âmbito de um acordo migratório. Acusados de crime organizado pelos dois governos, eles foram detidos e colocados na prisão de segurança máxima Cecot, privados de acesso a um advogado e de qualquer procedimento legal. Uma negociação política permitiu o repatriamento dos venezuelanos quatro meses depois, mas os salvadorenhos continuam desaparecidos. Hoje, as famílias de 11 deles quebram o silêncio e exigem saber onde estão detidos.
Artigo produzido no âmbito de uma investigação coordenada pelo Forbidden Stories, intitulada “The Deportation Project” , da qual participa a RFI, além de outros 23 veículos de comunicação.
No caso de El Salvador, a história de Kevin e Elmer se parece com a de tantos outros migrantes expulsos pelos Estados Unidos à margem de qualquer procedimento legal. A RFI encontrou as irmãs de cada um deles, que não cessam de lutar para encontrá-los. Glenda e Karen são duas salvadorenhas que se tornaram investigadoras na busca por seus irmãos expulsos dos Estados Unidos.
“Meu irmão desapareceu. Está detido há mais de um ano sem qualquer procedimento legal. Gostaríamos de ter provas de que ele está bem, porque não podemos continuar vivendo na incerteza, sem receber nenhuma notícia dele”, diz Glenda.
“Ele foi expulso há mais de um ano e, até hoje, ninguém quis nos dizer onde ele está. Não há nenhum registro dele na promotoria. Para nós, trata-se de um desaparecimento forçado. É como se eles não existissem aqui em El Salvador”, afirma Karen.
Eles não existem oficialmente e, no entanto, chegaram de fato a San Salvador entre março e abril de 2025, a bordo de voos militares fretados pelo governo Trump . Esses voos transportaram 252 venezuelanos e um número indeterminado de salvadorenhos, todos acusados pelos dois governos de serem criminosos perigosos. A partir daquele momento, perdeu-se o rastro de Elmer Concepción Romero Janes, irmão de Glenda, e de Kevin Rolando Barrera Torres, irmão de Karen.
As transferências ocorreram em três datas: 15 e 30 de março e 12 de abril. “Infelizmente, ao contrário do caso dos venezuelanos, nenhum número exato nem qualquer informação oficial jamais foi divulgada sobre os salvadorenhos. Primeiro tomamos conhecimento por meio de uma nota da Casa Branca, depois por um tuíte e, finalmente, pela imprensa”, explica Nathalye Cotrino, pesquisadora sênior da divisão das Américas da Human Rights Watch (HRW).
Glenda e sua família descobriram que Elmer estava no país graças a um vídeo no qual a Presidência de El Salvador mostrava a chegada de voos militares transportando pessoas suspeitas de pertencer a gangues, expulsas dos Estados Unidos.
“Graças a Deus, conseguimos reconhecê-lo no vídeo. Ele é o último a aparecer, no momento em que desce do avião para entrar em um ônibus. Meu irmão estava a bordo do segundo voo, que pousou em 31 de março de 2025. Além disso, ele havia falado com uma tia que mora nos Estados Unidos e disse a ela que seria enviado de volta ao país, pedindo que ela lhe enviasse roupas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.