Charleaux: Atitude de Trump é grave e contrasta com outros países do mundo
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A declaração de Donald Trump sugerindo que a eleição no Brasil "parece ter sido fraudada" foi grave e rompeu um ritual diplomático básico, avaliou o colunista João Paulo Charleaux no UOL News - 2ª edição , do Canal UOL.
O comentário veio após Trump reagir ao resultado da virada histórica de Lula, dizendo que gosta do petista e "se dá bem" com ele , mas levantando suspeitas sobre o pleito e sobre a extensão do prazo de votação.
É grave. É um descumprimento de um ritual diplomático comum entre os países, que é de não se imiscuir em assuntos internos, sobretudo quando existe uma aprovação da autoridade judiciária, no caso da Justiça Eleitoral, em relação ao resultado.
Portanto, é uma atitude anômala, incomum, tão esquisita que ela contrasta com a de todos os outros países do mundo até agora. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
Para o colunista, o presidente dos EUA não se incomoda em ocupar esse lugar de pressão e força, e tem repetido o comportamento com aliados em outras frentes. Charleaux disse que o gesto não surpreende e que Trump tende a "manter essa corda esticada" também na relação com o Brasil.
Trump vai manter essa corda esticada numa tentativa de obter vantagens em negociações com o Brasil. Ele fará do reconhecimento do resultado eleitoral uma moeda de troca nas relações comerciais e políticas com o Brasil. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
Charleaux afirmou que o contexto atual também muda o peso da fala de Trump. Segundo ele, o republicano estaria mais isolado do que nunca e, na América Latina, a maior parte dos governos teria se apressado em saudar Lula pela vitória.
Trump está mais isolado do que nunca, não só no mundo, em relação aos parceiros europeus, mas também na América Latina, porque todos os governos da região, excluindo talvez Javier Milei [Argentina] e Nayib Bukele [El Salvador], todos os demais reconheceram e se apressaram em saudar o Lula pela vitória eleitoral que ele teve. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
Do ponto de vista internacional, ele também parte debelando bem essas dúvidas, porque recebeu apoio dos presidentes da América Latina de maneira geral, incluindo líderes de direita e de extrema-direita. Esse foi um gesto muito valioso e importante desses presidentes conservadores latino-americanos. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
Uma reforma do Judiciário virá. A questão é que, com a reeleição do Lula, o Judiciário não chega às portas de 2027 com uma faca sobre o pescoço colocada também pelo Executivo. Terá espaço e ela existirá no Congresso Nacional. Daniela Lima, colunista do UOL
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