Lula na defensiva, Flávio no ataque: como a crise no STF já afeta as campanhas eleitorais
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes já tinha um papel de destaque na eleição presidencial de 2022.
Então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro acusava o magistrado de, à frente da Justiça Eleitoral e em conluio com o PT, conspirar contra a sua vitória.
O resto da história é conhecido: Lula venceu o páreo, o capitão deixou o país sem passar a faixa ao petista e, depois, foi condenado à cadeia por Moraes por tentativa de golpe.
Em 2026, o magistrado e o STF como um todo, enredados numa grave crise de reputação, voltaram ao centro do processo eleitoral.
A menos de três semanas da votação, passaram a pautar a disputa entre os postulantes ao Palácio do Planalto, deixando em segundo plano o debate de propostas para a economia, a saúde e a segurança pública.
Essa situação se acentuou depois da sessão em que o tribunal decidiu não decidir a respeito de se abriria uma investigação contra um de seus integrantes.
SAINDO DA DEFENSIVA – Lula: o presidente disse que juízes não podem usar os cargos para enriquecer, promete reformas e tenta vincular o adversário ao escândalo do Banco Master Silvio Avila/AFP As suspeitas de corrupção que atingem a Corte, baseadas em indícios de relações impróprias entre ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, podem ter um impacto decisivo no pleito, principalmente sobre o eleitor independente, considerado o fiel da balança na próxima votação.
Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 11, quatro dias antes de o Supremo sangrar em público, mostrou que para 85% dos entrevistados a revelação das 52 mensagens enviadas pelo ex-dono do Master para Alexandre de Moraes não muda a intenção de voto.
Empatados nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro estão mais atentos a outros dois dados do mesmo levantamento.
Um deles revela que 4% dos entrevistados declararam ter trocado de candidato por causa do escândalo, o que equivale a cerca de 6 milhões de eleitores.
Outro indica que 7% ficaram em dúvida sobre seu voto após as revelações da Polícia Federal sobre as tratativas de Vorcaro com Moraes.
Esse contingente equivale a cerca de 11 milhões de eleitores.
É muita coisa numa disputa que promete ser tão acirrada.
Por enquanto, a crise no Supremo deixa Lula na defensiva, e Flávio Bolsonaro no ataque.
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