Família que escondeu seus vinhos dos nazistas enfrenta hoje outro inimigo
Há histórias de vinho que começam na vinha.
A da família Drouhin passa por uma guerra, paredes falsas, túneis subterrâneos e até algumas aranhas.
Durante a ocupação nazista da França, Maurice Drouhin, filho de Joseph Drouhin, fundador da Maison Joseph Drouhin , precisou esconder parte dos vinhos mais valiosos da família para impedir que fossem saqueados pelo exército alemão.
Nas antigas adegas da família, em Beaune, na Borgonha, foram erguidas paredes falsas para esconder garrafas raras, entre elas, segundo o relato do livro Vinho e Guerra , de Don e Petie Kladstrup, exemplares de Romanée-Conti.
O detalhe que parece saído de um filme é que as novas paredes precisavam parecer antigas.
Para isso, a família colocou aranhas sobre elas.
As teias ajudariam a dar aos muros recém-construídos a aparência de abandono.
Maurice Drouhin não estava apenas protegendo garrafas, o que já seria bastante nobre.
Membro da Resistência Francesa, ele também usou o labirinto de túneis e adegas subterrâneas para esconder combatentes, judeus e refugiados perseguidos pelos nazistas.
Quando a Gestapo chegou perto de capturá-lo, escapou por uma passagem secreta e encontrou abrigo no Hospices de Beaune, onde permaneceu escondido até a libertação.
Quase oito décadas depois, a Maison Joseph Drouhin continua sendo uma das grandes referências da Borgonha.
E, no recente jantar que tive no começo da semana com Christophe Thomas, diretor de exportação da casa, ficou claro que preservar esse patrimônio hoje exige outro tipo de resistência.
“Se não adapta, você desaparece”, resumiu ele, com um leve chacoalhar de cabeça tipicamente francês.
A frase vale para uma região em que tradição e mudança climática passaram a dividir a mesma mesa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.