Klabin cai 5% após balanço; custos e dívida preocupam analistas
As units da Klabin ( KLBN11 ), certificados que reúnem diferentes classes de ações, caíam 5,03%, a R$ 17,74, às 12h15 desta quarta-feira (28), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Analistas do Itaú BBA e da XP apontam pressão dos custos, incluindo gastos para enfrentar possíveis impactos do El Niño, e dificuldades para reduzir o endividamento.
O Ebitda ajustado, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 1,86 bilhão. O número ficou em linha com a projeção do Itaú BBA e aproximadamente 3% abaixo da estimativa da XP.
XP avalia que o balanço foi ligeiramente negativo. Em relatório de Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, a casa destaca que o desempenho das vendas não foi suficiente para compensar o aumento dos custos operacionais. A redução limitada do endividamento também pesou na avaliação.
Vemos os resultados com um viés ligeiramente negativo, principalmente devido ao aumento sequencial dos custos caixa e ao progresso limitado na desalavancagem. XP em relatório
Custos operacionais subiram 9% no trimestre. O custo caixa consolidado, que reúne os desembolsos operacionais por tonelada produzida, chegou a R$ 3.483, ante um valor aproximadamente 9% menor no segundo trimestre.
Preparação para o El Niño contribuiu para o aumento das despesas. O Itaú BBA, em relatório de Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, destaca gastos preventivos para enfrentar o fenômeno climático, além de uma parada de manutenção na unidade de Otacílio Costa e da inflação de insumos e fretes.
Medidas relacionadas ao El Niño custaram R$ 111 por tonelada. A companhia também ampliou seus estoques de madeira para se preparar para possíveis dificuldades de abastecimento. Essa formação de estoques consumiu recursos que poderiam ter reforçado o caixa.
Celulose também enfrentou aumento de custos. Segundo a XP, os gastos com madeira, combustíveis e produtos químicos cresceram. Na divisão de papéis e embalagens, a melhora dos volumes vendidos e dos preços não foi suficiente para compensar a pressão das despesas.
Klabin pode superar o limite de custos previsto para 2026. Nos nove primeiros meses do ano, o custo caixa médio ficou próximo de R$ 3.345 por tonelada, acima da faixa projetada pela companhia, de R$ 3.200 a R$ 3.300.
Itaú BBA já trabalha com estimativa mais conservadora. O banco projeta custo médio de R$ 3.348 por tonelada no ano, acima da meta da empresa. Por isso, parte da pressão já está incorporada às suas estimativas.
Resultado operacional também pode ficar abaixo do esperado. O Itaú identifica risco de revisão para baixo de sua projeção de Ebitda de R$ 7,7 bilhões em 2026, caso as receitas apresentem desempenho mais fraco.
Papel-cartão e celulose tiveram crescimento nas vendas. Segundo a XP, os volumes de papel-cartão avançaram 8% em relação ao segundo trimestre, favorecidos pela expansão da máquina MP28 e pelo aumento das exportações. Na celulose, o volume vendido cresceu 4%.
Dívida líquida permaneceu próxima de R$ 24 bilhões. A relação entre dívida líquida e Ebitda, medida em dólares, passou de 3,2 para 3,3 vezes.
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